A professora Camila Falcão, membro da Unidade Popular (UP), anunciou sua pré-candidatura ao governo de Pernambuco para as eleições de 2026. A candidatura foi oficializada durante o congresso estadual do partido, realizado em abril no Recife, que contou com a presença de representantes de diversos municípios, incluindo Recife, Petrolina, Caruaru, Carpina e Jaboatão dos Guararapes.
Camila Falcão destaca que sua candidatura não é um projeto individual, mas sim uma representação do programa coletivo dos movimentos que integram a Unidade Popular. O partido defende a transformação do modelo econômico atual em direção a um projeto socialista, que promova uma maior participação da população nas decisões governamentais.
Natural de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, Camila é graduada em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e atua como professora de educação popular. Atualmente, ocupa a vice-presidência estadual da Unidade Popular e é uma das principais apoiadoras de Samara Martins, pré-candidata da UP à presidência da República. Sua plataforma de campanha é fundamentada em princípios socialistas, na promoção da participação popular e na ampliação dos serviços públicos.
A trajetória acadêmica de Camila começou em sua adolescência, quando se mudou para o Recife e ingressou em uma escola pública. Em 2012, começou sua graduação na UFRPE, período em que se envolveu ativamente em mobilizações de estudantes, professores e servidores da universidade. Durante sua passagem pela instituição, foi eleita duas vezes para a coordenação-geral do Diretório Central dos Estudantes Odijas Carvalho de Souza e também presidiu a União dos Estudantes de Pernambuco Cândido Pinto, que representa universitários e pós-graduandos.
Como presidente da União dos Estudantes de Pernambuco, Camila participou de discussões sobre assistência estudantil, defendendo a criação de políticas estaduais que garantissem a permanência dos alunos nas instituições de ensino. Ela também esteve envolvida na União da Juventude Rebelião, uma das organizações que contribuíram para a fundação da Unidade Popular, participando ativamente da coleta de assinaturas necessárias para sua criação.
A trajetória política de Camila Falcão é marcada por sua atuação em movimentos sociais, especialmente nas áreas de juventude, educação, moradia e direitos das mulheres. Ela é integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário e mantém vínculos com o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Atualmente, reside no Habitacional Ruy Frazão, um empreendimento que foi conquistado por famílias organizadas pelo movimento de moradia.
Além de sua atuação política, Camila também trabalhou como assessora do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco, experiência que lhe proporcionou uma visão aprofundada sobre as condições de trabalho dos profissionais da saúde e os desafios enfrentados pela rede pública de saúde no estado.
Entre suas principais propostas de campanha, destaca-se a reversão das privatizações e concessões de serviços públicos. Camila é contrária à transferência da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e do Metrô do Recife para a iniciativa privada, defendendo que serviços essenciais como saúde, transporte, água e saneamento devem permanecer sob controle estatal. Ela propõe, ainda, a ampliação dos concursos públicos e a substituição gradual da gestão hospitalar por organizações sociais por uma administração direta do estado.
Na área da educação, Camila Falcão defende o fim da escala de trabalho 6×1, a redução da jornada sem diminuição salarial e a valorização de professores, enfermeiros e demais servidores. Ela também propõe a ampliação da Universidade de Pernambuco, a reforma das escolas e o fortalecimento da educação infantil em tempo integral.
Para a segurança pública, a pré-candidata sugere a desmilitarização das polícias e um modelo focado na prevenção da violência, com investimentos em educação, moradia, cultura e geração de renda. Sua proposta inclui a valorização e a melhoria das condições de trabalho dos profissionais de segurança.
Camila também se compromete a ampliar o atendimento às mulheres vítimas de violência, com a criação de delegacias especializadas abertas 24 horas, equipes multidisciplinares e mais casas de acolhimento. Na questão habitacional, defende a destinação de imóveis abandonados para famílias sem moradia e a maior participação dos movimentos populares na formulação de políticas públicas.
Um dos diferenciais da proposta da Unidade Popular é a criação de conselhos populares compostos por trabalhadores e representantes de movimentos sociais, que teriam um papel ativo na definição dos investimentos em áreas como saneamento, transporte, saúde, creches e habitação. Segundo Camila, a proposta visa inverter as prioridades do orçamento estadual, reduzindo gastos com publicidade e direcionando mais recursos para serviços públicos e políticas sociais.








