A Polícia Federal (PF) concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado em março de 2023 contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, recomendando sua demissão do cargo de escrivão da corporação. O relatório resultante foi enviado à Direção-Geral da PF e será submetido à análise do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que terá a responsabilidade de tomar a decisão final sobre o caso.
De acordo com o relatório, Eduardo Bolsonaro não retornou ao trabalho após o término de uma licença que lhe foi concedida durante seu mandato parlamentar. Com a perda de seu cargo de deputado em dezembro de 2025, ele foi convocado a reassumir suas funções na PF. No entanto, o ex-deputado optou por permanecer nos Estados Unidos, acumulando faltas que a corporação considerou injustificadas, configurando, assim, a hipótese de abandono de cargo, prevista no regime disciplinar dos servidores públicos federais.
Eduardo Bolsonaro ocupa a função de escrivão da Polícia Federal e está lotado no estado do Rio de Janeiro. A ausência prolongada ao trabalho levou a PF a instaurar o PAD, com o objetivo de apurar a situação e determinar se houve, de fato, abandono de cargo. A recomendação de demissão, embora significativa, não tem efeitos imediatos, uma vez que o parecer da comissão responsável pelo processo ainda precisa ser analisado pela Direção-Geral da PF e, em seguida, encaminhado ao Ministério da Justiça.
A defesa de Eduardo Bolsonaro contesta a recomendação e alega que o processo possui motivações políticas. Os advogados do ex-deputado negam que tenha havido um abandono deliberado de seu cargo e informaram que pretendem recorrer caso a demissão seja confirmada na esfera administrativa. Essa situação levanta questões sobre a relação entre política e administração pública, especialmente considerando o histórico familiar de Eduardo Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura proeminente no cenário político brasileiro.
A recomendação da PF se insere em um contexto mais amplo de fiscalização e controle sobre a atuação de servidores públicos, especialmente em cargos de confiança. O abandono de cargo é uma infração disciplinar que pode resultar em penalidades severas, incluindo a demissão, e é um tema recorrente em discussões sobre a responsabilidade dos servidores públicos em cumprir suas obrigações.
O desfecho deste caso poderá ter implicações não apenas na carreira de Eduardo Bolsonaro, mas também na percepção pública sobre a atuação da Polícia Federal e a integridade do serviço público no Brasil. A análise do caso pelo Ministério da Justiça será um momento crucial para determinar os próximos passos e as repercussões legais e políticas que poderão surgir a partir dessa recomendação.







