Ao investigar os restos de duas supernovas, o tipo de explosão mais poderoso do espaço, pesquisadores internacionais levantaram a possibilidade de ambos eventos terem ocorrido com estrelas que viviam juntas. Caso a hipótese for confirmada, seria o primeiro relato do tipo na história.
A investigação sobre o evento está sendo realizada com a IC 443, também chamada de Nebulosa da Água-viva, e a G189.6+3.3.
As análises foram lideradas por pesquisadores do Laboratório de Física Experimental Hansen (HEPL), instituto pertencente à Universidade Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com cientistas europeus. Os resultados foram disponibilizados na revista Nature Communications nesta terça-feira (21/7).
Os especialistas sabiam que as estrelas ficavam em locais próximos no espaço. No entanto, eles ainda precisam entender se as explosões foram coincidência ou se há alguma relação entre elas.
Nas primeiras avaliações, foram compilados dados de 16 anos de observações do Telescópio Espacial Fermi de Raios Gama, da Nasa. Em seguida, as informações foram cruzadas com imagens realizadas com outras luzes distintas. Os resultados preliminares já sugeriam que ambos estavam na mesma região espacial e a distâncias parecidas da Terra.
A fim de aprofundar a investigação, foram simulados mais de um milhão de sistemas compostos por duas estrelas para verificar se eles poderiam formar duas supernovas – e a resposta foi sim, é possível.
Segundo os especialistas, as estrelas nasceram juntas, formando um sistema binário. No entanto, não explodiram ao mesmo tempo. Estima-se que a explosão do corpo estelar que criou G189.6+3.3 ocorreu entre 20 mil e 110 mil anos antes do evento formador de IC 443.
“A interação entre nuvens compartilhadas posiciona G189.6+3.3 à mesma distância que IC 443, com uma separação linear entre os dois remanescentes e um atraso temporal em seus eventos de explosão, reforçando a hipótese de que esses dois remanescentes fazem parte de um sistema binário, ambos resultantes de eventos de supernova distintos”, escreveram os pesquisadores no artigo.
Apesar da quantidade de pistas, os cientistas ressaltam que ainda são necessárias mais investigações para de fato confirmar que as duas supernovas pertenciam a um par de estrelas no espaço.








