Um episódio registrado em Belo Horizonte resultou em investigação aberta pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) contra uma influenciadora, após ela ameaçar dar um soco em uma criança durante uma transmissão ao vivo. O caso também envolve o Conselho Tutelar da Regional Barreiro, que acompanhou a situação e encaminhou as crianças à avó materna mediante termo de responsabilidade. A seguir, detalhes do ocorrido, reação institucional e desdobramentos processuais.
O fato ocorreu durante uma transmissão ao vivo em rede social, quando a influenciadora, envolvida em outros temas durante a fala, foi surpreendida pela manifestação de uma de suas filhas, que pediu algo à mãe. Em resposta, a mulher elevou o tom e proferiu uma ameaça de agressão física contra a criança, afirmando: “Só mais uma vez, mano, que cê falar. Eu vou te bater! Cala a sua boca.” As declarações, registradas na live, compõem o núcleo da investigação instaurada pela PCMG, que já anunciou diligências para apurar todas as circunstâncias.
Além do episódio de agressão verbal, durante a mesma transmissão a influenciadora fez outros comentários, entre eles afirmações sobre fumar com frequência, encerrando com a observação de que “a onda vai embora na mesma hora.” Tais falas, associadas ao conteúdo da live, contribuíram para a repercussão do caso e para a abertura de procedimento investigativo pelas autoridades competentes.
Contexto institucional e encaminhamentos
Após a viralização do trecho da transmissão, o Conselho Tutelar da Regional Barreiro atuou no caso, acompanhando as consequências para as crianças envolvidas. Em medida de proteção, o órgão entregou as crianças à avó materna, mediante termo de responsabilidade, e informou ter solicitado encaminhamentos para acompanhamento na rede de saúde, além de pleitear vagas na rede municipal de educação. Em nota, o conselho frisou ainda que o caso foi encaminhado à Vara da Infância e da Juventude, órgão competente para julgar e deliberar sobre medidas protetivas cabíveis.
Posicionamento da influenciadora
Depois de o episódio ganhar repercussão, a influenciadora decidiu privar o seu perfil no TikTok, rede social na qual soma cerca de 118 mil seguidores. Em vídeo divulgado após a divulgação de denúncias, ela negou ter agredido fisicamente as filhas e reconheceu a necessidade de mudanças em seu comportamento. Ela afirmou que “precisa melhorar muito” e diminuir o uso de palavrões, especialmente em momentos de estresse, defendendo, porém, que não pode aceitar ataques considerados infundados por parte de terceiros. “Eu não tô falando que eu sou perfeita, que eu sou a melhor mãe do mundo. Não tô falando isso. Mas eu também não posso aceitar as pessoas virem me atacar de uma coisa, tipo assim, que não é verdade”, disse no material divulgado.
Próximos passos processuais
Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que as diligências investigativas prosseguem, mantendo o caso em andamento e sob apuração de todas as circunstâncias que caracterizam a ameaça, assim como eventuais impactos no bem-estar das crianças envolvidas. O Conselho Tutelar, por sua vez, reiterou a necessidade de acompanhamento de saúde e a busca por vagas na educação municipal, sinais de que as medidas protetivas deverão ser avaliadas pela Vara da Infância e da Juventude para a definição de encaminhamentos legais e educativos que assegurem o bem-estar dos menores.
O conjunto de ações, que envolve a PCMG, o Conselho Tutelar da Regional Barreiro e a Justiça da Infância e Juventude, demonstra o peso de situações de risco em redes de exposição pública e reforça a atuação dos órgãos de proteção à criança na avaliação de condutas que possam comprometer a integridade física e emocional de menores, bem como a avaliação de responsabilidades civis e penais cabíveis.









