A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) irá analisar na próxima quarta-feira (29), às 13h, o recurso apresentado pela defesa de Welbert de Souza Fagundes, acusado de matar o sargento da Polícia Militar Roger Dias, de 29 anos. Os desembargadores vão decidir se mantém a sentença de pronúncia — que determina que o réu seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri — ou se acolhem os argumentos da defesa e alteram o rumo do processo.
Em dezembro do ano passado, a Justiça entendeu que havia indícios suficientes para que Welbert respondesse perante um júri popular por homicídio triplamente qualificado. A denúncia aponta que o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, para assegurar a impunidade de outro delito e contra agente de segurança pública no exercício da função. Além disso, o acusado também responde por tentativa de homicídio contra outro policial militar e por porte ilegal de arma de fogo.
No recurso, a defesa busca reverter a decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri. Durante a tramitação do processo, os advogados sustentaram que Welbert teria agido em legítima defesa e alegaram que ele sofria de transtornos psiquiátricos que comprometeriam sua capacidade de discernimento. Esses argumentos, no entanto, foram afastados durante a instrução processual. Laudos produzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) concluíram que o acusado possuía plena capacidade de compreender o caráter ilícito de suas ações. Além disso, imagens de câmeras de segurança anexadas ao processo descartaram a existência de ameaça prévia por parte dos policiais, contrariando a versão apresentada pela defesa.
A decisão que será tomada na próxima quarta-feira não representa o julgamento do mérito da acusação. Os desembargadores irão apenas analisar se permanecem presentes os requisitos para que Welbert seja submetido ao Tribunal do Júri, etapa em que caberá aos jurados decidir sobre sua responsabilidade criminal pela morte do policial militar.
Contexto do caso e participação de outras pessoas
A ação que terminou com a morte do sargento Roger Dias contou com a participação de Geovanni Faria de Carvalho, apontado como motorista do veículo utilizado na fuga. Ele foi julgado em agosto de 2025 e condenado a 13 anos e 7 meses de prisão, em regime fechado, por quatro tentativas de homicídio contra policiais militares e por uma tentativa de homicídio contra um motociclista atingido durante a perseguição. A condenação não envolve a morte do sargento, atribuída ao disparo efetuado por Welbert.
Contexto e desfecho do crime
O crime ocorreu na noite de 5 de janeiro de 2024, no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte. O sargento Roger Dias participava de uma operação da Polícia Militar para localizar dois detentos beneficiados pela saída temporária de fim de ano que não haviam retornado ao sistema prisional.
Segundo a denúncia do Ministério Público, antes da abordagem os suspeitos teriam roubado um Fiat Uno e fugiam da polícia. Durante a perseguição, Geovanni, que conduzia o veículo, atingiu uma motocicleta e continuou em alta velocidade até perder o controle da direção e bater contra um poste.
Após a colisão, os dois suspeitos abandonaram o carro e tentaram escapar a pé pelas ruas do bairro. Pouco depois, o sargento Roger localizou Welbert. De acordo com a acusação, o suspeito sacou uma arma que mantinha escondida e efetuou disparos à queima-roupa contra a cabeça do policial. Ainda conforme o Ministério Público, Welbert também atirou contra outro militar que participava da ocorrência, mas não conseguiu atingi-lo.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da abordagem e dos disparos. O sargento foi socorrido em estado gravíssimo e encaminhado ao Hospital João XXIII, onde permaneceu internado. Dois dias depois, em 7 de janeiro de 2024, teve a morte cerebral confirmada.








