A Itália confirmou até o momento 41 mortes causadas pelo vírus do Nilo Ocidental, além de registrar um total de 594 casos da infecção, de acordo com dados atualizados pelo Instituto Nacional de Saúde italiano (ISS) até esta terça-feira, dia 8. Essas informações foram divulgadas pela CNN Portugal e indicam um aumento significativo na incidência da doença no país, especialmente em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 582 casos e 39 óbitos.
Do total de casos na Itália, 306 apresentam a forma neuroinvasiva da doença, considerada a manifestação mais grave. Entre esses, cinco foram classificados como importados, relacionados a indivíduos que estiveram em países como Maldivas, França, Bélgica, Grécia e Países Baixos, indicando a circulação do vírus além das fronteiras italianas. Além dos casos sintomáticos, foram identificados 81 casos assintomáticos em doadores de sangue, o que evidencia a circulação silenciosa do vírus na população.
O levantamento também aponta 202 pessoas com febre, um sintoma comum na infecção, e quatro registros de outros sintomas relacionados à doença. A taxa de letalidade entre os casos autóctones da forma neuroinvasiva permanece em 13,3%, refletindo a gravidade da doença em pacientes que desenvolvem complicações neurológicas. O vírus foi detectado em 79 províncias de 19 regiões italianas, demonstrando sua ampla disseminação pelo território nacional. Além disso, o balanço inclui 12 casos de infecção pelo vírus Usutu, outro vírus transmitido por mosquitos que também circula na região.
Em comparação com o mesmo período de 2022, quando a Itália tinha registrado 582 casos e 39 mortes, o aumento atual nos números evidencia uma escalada na transmissão do vírus do Nilo Ocidental no país. Essa tendência reforça a preocupação com a expansão da doença na Europa, onde diversos países vêm notando o crescimento de casos, sobretudo em regiões com maior presença de mosquitos vetores.
O vírus do Nilo Ocidental é um agente do gênero Flavivirus, transmitido principalmente por mosquitos infectados que adquirem o vírus ao picar aves contaminadas. Humanos e outros mamíferos podem ser infectados, mas não desempenham papel relevante na manutenção do ciclo de transmissão. A maioria das pessoas infectadas, cerca de 20%, desenvolve sintomas leves, como febre súbita, mal-estar, náusea, vômito, dor nos olhos, dor de cabeça, dores musculares, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos. Entretanto, uma parcela menor pode evoluir para formas graves, com meningite ou encefalite, especialmente entre idosos e indivíduos com condições de saúde que aumentam o risco de complicações neurológicas.
Até o momento, não há tratamento antiviral específico para a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental, sendo o manejo clínico focado no controle dos sintomas e suporte ao paciente em casos mais graves. Não existe, também, vacina disponível para uso humano, o que torna a prevenção fundamental. As principais medidas de proteção envolvem o uso de repelentes, roupas que cubram braços e pernas, instalação de telas em portas e janelas e a eliminação de recipientes que possam acumular água parada, ambientes propícios à reprodução dos mosquitos vetores. A crescente disseminação do vírus na Europa reforça a necessidade de vigilância e ações preventivas para conter a expansão da doença.









