O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) agendou para esta terça-feira (28) a audiência de instrução no caso que envolve um pastor de uma igreja evangélica localizada no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O líder religioso é acusado de abusar sexualmente de mulheres que participavam da congregação, conforme relatos apresentados pelas próprias vítimas.
Conforme os depoimentos reunidos, o pastor teria usado a posição de autoridade que detinha na igreja para conduzir fiéis a um quarto reservado, onde os abusos teriam ocorrido. As narrativas ainda apontam que o acusado citava trechos da Bíblia e invocava o nome de Deus para justificar tais atos. Ao todo, pelo menos nove mulheres registraram denúncias contra o pastor, consolidando o que, segundo investigadores, configura condutas que violam a integridade de fiéis da igreja.
A investigação, que teve início no ano passado, resultou no indiciamento do pastor pela Polícia Civil pelos crimes de estupro, importunação sexual e violação sexual mediante fraude. Na ocasião, a igreja chegou a pedir a prisão preventiva do acusado, requisição que foi negada pela Justiça. Assim, o pastor permanece respondendo ao processo em liberdade.
Até o momento, dois relatos de vítimas já foram ouvidos pela Justiça em audiências realizadas em outubro do ano passado e em fevereiro deste ano. Nesta terça-feira, às 10h30, no Fórum Lafayette, está programada mais uma sessão, com o depoimento de 13 testemunhas, de mais uma vítima e do próprio réu.
Em entrevista à Itatiaia, uma das vítimas reforçou a expectativa em relação ao andamento do procedimento: “Essa causa não é só minha. Essa causa é de todas nós. Por isso, quero que a justiça seja feita”. A entrevistada também criticou a morosidade do processo e o fato de o pastor responder ao processo em liberdade. “Isso garante que ele possa intimidar e coagir vítimas e testemunhas”, lamentou a vítima.
Contexto processual e expectativa para a audiência
A audiência de instrução é o momento processual em que as provas são colhidas para subsidiar a decisão judicial. Nessa etapa, a defesa e a acusação apresentam elementos de prova, as testemunhas prestam depoimento sob o crivo do tribunal, e o réu pode ser ouvido. O andamento do caso, incluindo o cumprimento de diligências, pode influenciar o pronunciamento futuro do juiz responsável pelo processo.
O Ministério Público, com base nas investigações da Polícia Civil, aponta para condutas que violam a integridade de mulheres que participavam da igreja. A defesa, por sua vez, pode contestar as acusações, contestando, entre outros pontos, as circunstâncias que cercam os depoimentos e a interpretação dos fatos pela acusação. A audiência marcada para esta terça-feira representa um momento decisivo para a colheita de novos depoimentos e provas que possam consolidar, ou não, a conclusão das acusações no decorrer do processo.







