Um veículo que permaneceu estacionado desde o dia em que a capitã Michele Leão Azevedo, da Polícia Militar, morreu foi retirado, nesta terça-feira (28/7), do prédio onde o caso é investigado, na região Nordeste de Belo Horizonte. Antes de a retirada ocorrer, a Polícia Civil realizou uma vistoria no apartamento em que a militar vivia com o companheiro, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, 3º sargento da PMMG, já tratado como suspeito de feminicídio. A operação faz parte das diligências que, segundo as autoridades, visam reunir provas para esclarecer o que ocorreu naquela residência.
Segundo a delegada Ana Paula Rodrigues, responsável pelo inquérito, o carro pertence a um dos participantes de uma festa que aconteceu no apartamento do casal no dia 20 de julho. “Com a autorização do proprietário, [o veículo] foi vistoriado para termos certeza de que não havia nenhum elemento relacionado ao crime. Após a vistoria, ele foi liberado e o proprietário o retirou do local”, afirmou a delegada. A observação reforça a linha de apuração que não aponta, de imediato, participação direta do proprietário do veículo na morte de Michele, mas preserva a necessidade de o dono do carro prestar esclarecimentos, como demais pessoas presentes no evento naquela data.
Questionada sobre a eventual participação do proprietário na morte da capitã, a investigadora reiterou que ele deverá prestar depoimento, assim como as demais pessoas que estiveram no apartamento durante a confraternização de 20 de julho. Além da vistoria no automóvel, a Polícia Civil recolheu objetos no interior do apartamento. A delegada informou que tais materiais serão submetidos à perícia e constarão no laudo de local; detalhou, porém, que não iria especificar quais itens foram apreendidos nem adiantar informações sobre as diligências, ressaltando que o andamento do inquérito determinará quando os dados poderão ser tornados públicos.
A capitã Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de 20 de julho. A equipe médica constatou traumatismo craniano, lesões compatíveis com chicoteamento e que a vítima apresentava morte encefálica temporária há, pelo menos, quatro horas antes da chegada à emergência. O companheiro da vítima, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, 3º sargento da PMMG, que a conduziu ao hospital, teve a prisão em flagrante ratificada por suspeita de feminicídio consumado.
Em depoimento, o sargento afirmou que o casal consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy após uma confraternização em casa. Disse que participaram de atos consensuais de dominação e agressão física, conhecidos como “spanking”, e que Michele sofreu uma queda nas escadas por volta do meio-dia, recusando atendimento médico. Segundo o relato dele, eles teriam dormido às 15h e, ao acordarem, por volta das 21h, ele percebeu que ela não respondia. A estimativa médica aponta que o falecimento ocorreu entre às 15h e 17h30, período em que, segundo ele, dormiam. Câmeras de segurança do condomínio registraram o momento em que o sargento carregou a vítima desacordada para o carro.
No local da residência, perícias encontraram um cabo de madeira quebrado na lata de lixo e roupas de cama limpas e molhadas na máquina de lavar. Também foi verificado que o suspeito tentou descartar ecstasy no lixo do hospital. A mãe da capitã relatou à polícia que Michele vivia um relacionamento abusivo com o companheiro há cerca de oito anos, caracterizado por controle psicológico e humilhações. O sargento já tinha histórico de violência doméstica contra uma ex-companheira, em 2016, incluindo descumprimento de medida protetiva, além de uma prisão por embriaguez ao volante em 2023.
A apuração segue em andamento, com a coleta de provas, análises periciais e ouvidas de testemunhas para esclarecer as circunstâncias da morte da capitã Michele Leão Azevedo e esclarecer o papel de Eduardo Abner Pereira de Oliveira nesse episódio. As autoridades ressaltam que novas informações serão divulgadas à medida que houver conclusão de fases relevantes do inquérito.







