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Naufrágio do submarino alemão UC-30 de 1917 continua liberando explosivos no Mar do Norte

14/09/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Em abril de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, o submarino alemão UC-30 navegava próximo às costas da Dinamarca, quando atingiu uma mina britânica e afundou. Na ocasião, estavam a bordo 27 tripulantes, além de 18 minas e seis torpedos. Todos os ocupantes perderam a vida no acidente. O submarino havia deixado uma missão na Irlanda após apresentar problemas no motor e retornava para a Alemanha quando naufragou, perto da ilha dinamarquesa de Rømø. Os destroços permaneceram desaparecidos por quase um século até serem localizados em 2016 pelo mergulhador dinamarquês Gert Normann Andersen. Desde então, o local tem sido alvo de investigações que buscam compreender os impactos ambientais de naufrágios históricos no Mar do Norte.

Nos últimos anos, pesquisadores têm constatado a presença de vestígios de TNT — explosivo utilizado na composição das minas e torpedos a bordo do UC-30 — na água, no sedimento do fundo do mar e em espécies marinhas próximas ao local do naufrágio. A equipe liderada pela professora Katrine Juul Andresen, do Departamento de Geociências da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, realizou coletas de amostras de água, sedimentos e organismos marinhos, como estrelas-do-mar e mexilhões que habitam os destroços ou suas proximidades. Como o mergulho civil não é permitido na área, a equipe contou com a colaboração de mergulhadores da Marinha dinamarquesa, que receberam instruções específicas para coletar as amostras de forma segura e eficiente.

Imagens registradas pelos militares também permitiram avaliar o estado de conservação do submarino e a exposição de minas ainda presentes em seu interior. Os resultados indicaram que compostos explosivos, especialmente o TNT, já atingiram o ambiente ao redor do naufrágio, evidenciando uma poluição ambiental contínua. Segundo Andresen, vestígios do explosivo foram detectados na fauna, na coluna d’água e no sedimento marinho, o que confirma a ocorrência de contaminação. Contudo, ainda não há uma estimativa precisa do impacto total, embora seja provável que a maior parte da contaminação esteja concentrada na área imediata ao naufrágio. A deterioração progressiva da estrutura metálica do UC-30 pode aumentar o risco de liberação de materiais explosivos, agravando a situação.

O contexto mais amplo dos naufrágios e riscos ambientais no Mar do Norte

O caso do UC-30 exemplifica uma questão mais ampla relacionada aos inúmeros destroços de guerra no Mar do Norte, uma das regiões mais afetadas pelos conflitos navais da Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Durante o conflito de 1914-1918, estima-se que cerca de 190 mil minas tenham sido espalhadas na região, além de milhares de navios e submarinos que naufragaram no fundo do oceano. Na Dinamarca, a quantidade de destroços históricos é particularmente significativa, com um levantamento de 2024 indicando a existência de 10.127 naufrágios em águas sob jurisdição dinamarquesa. Destes, aproximadamente 15% datam do período entre 1910 e 1920, incluindo os anos da Primeira Guerra Mundial, e também do período da Segunda Guerra Mundial, entre 1940 e 1945. Esses resíduos representam uma fonte potencial de contaminação por munições, combustíveis e metais, que podem se deteriorar e liberar substâncias tóxicas na água.

A preocupação com esses destroços leva a debates sobre a necessidade de ações de remoção ou neutralização de explosivos antigos no fundo do mar. Países europeus, como a Alemanha, já possuem programas de recuperação de munições e explosivos da Segunda Guerra Mundial no Mar Báltico, buscando reduzir riscos ambientais e de segurança. Entretanto, a retirada dessas munições não é uma tarefa simples ou barata. Uma alternativa considerada é a detonação controlada no fundo do mar, mas essa prática apresenta riscos ambientais adicionais, pois pode dispersar contaminantes na água e sedimentos. Assim, pesquisadores buscam soluções mais seguras, incluindo o uso de robôs submarinos capazes de mapear, localizar e, eventualmente, remover ou neutralizar os explosivos de forma controlada.

Segundo Andresen, nem todos os destroços representam uma ameaça imediata. Destinos parcialmente enterrados por sedimentos, por exemplo, apresentam menor risco de liberar substâncias tóxicas. A avaliação do risco depende de fatores como o estado de deterioração, a exposição e a profundidade dos objetos no fundo do mar. A identificação precisa dessas áreas permite uma abordagem mais eficiente, minimizando os riscos ambientais e de segurança. A situação do UC-30 evidencia a necessidade de uma gestão cuidadosa dos resíduos de guerra no fundo do mar, que, se não controlada, pode agravar a contaminação do ecossistema marinho na região.

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