A antiga maternidade Octaviano Neves, no bairro Santa Efigênia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, será transformada na Unidade II do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais. A estrutura, que atualmente atende pacientes particulares e de planos de saúde, passará a funcionar exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma gradual, com previsão de início no fim de novembro.
A aquisição do imóvel pela Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora dos Institutos Ciências Médicas, foi anunciada nesta sexta-feira (30/10). A compra havia sido formalizada em setembro, com recursos próprios da instituição. Para adaptar o prédio ao atendimento público, a Feluma prevê investir mais R$ 40 milhões em obras e adequações.
Com a mudança, o hospital localizado em Santa Efigênia terá 250 leitos e 70 pontos de hemodiálise. A nova unidade também deverá oferecer serviços especializados, incluindo cirurgia vascular e urologia. Ainda não foi definida a lista completa de atendimentos que serão realizados no espaço.
Durante o período de transição, os pacientes que já utilizam o hospital por meio de convênios e planos de saúde continuarão recebendo assistência. A conversão para o atendimento integral pelo SUS ocorrerá progressivamente, à medida que a estrutura for adaptada e os novos serviços forem organizados.
Atendimento será feito por encaminhamento da rede pública
A unidade não funcionará como porta aberta, ou seja, não receberá pacientes por demanda espontânea. O acesso será regulado pela Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Os encaminhamentos deverão partir principalmente de unidades básicas de saúde (UBSs) e unidades de pronto atendimento (UPAs), conforme a necessidade de cada paciente e a disponibilidade da rede.
Segundo o presidente da Feluma, Wagner Eduardo Ferreira, moradores de outros municípios também poderão ser atendidos. Para isso, será necessário que as prefeituras negociem o encaminhamento dos pacientes por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
O anúncio contou com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. De acordo com ele, a nova estrutura permitirá que a Feluma dobre a capacidade de leitos destinados ao SUS. A unidade também acrescentará seis leitos de UTI pediátrica e seis de UTI adulta.
“É uma ampliação importante para garantir que mais pacientes tenham acesso a internações, cirurgias e tratamentos de maior complexidade”, afirmou Padilha.
Estado prevê apoio com equipamentos
O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, afirmou que o governo mineiro contribuirá com equipamentos e com a organização da nova unidade. Para ele, o hospital poderá ajudar a reduzir gargalos da rede pública de Belo Horizonte e da Região Metropolitana.
Baccheretti citou a cirurgia vascular e a urologia entre as áreas que poderão ser beneficiadas pela expansão. Segundo o secretário, a implantação foi discutida em conjunto com a Prefeitura de Belo Horizonte e o governo estadual. Apesar disso, a definição de todos os procedimentos e especialidades ainda está em andamento.
Unidade também será usada na formação de estudantes
Além da assistência aos pacientes, o hospital terá função acadêmica. A unidade será utilizada na formação de estudantes de graduação e pós-graduação da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, com acompanhamento de profissionais experientes.
Entre os médicos que integram o corpo clínico está Rodrigo Lasmar, que atua no Atlético e na Seleção Brasileira. Wagner Eduardo Ferreira citou o profissional como exemplo da equipe que prestará atendimento pelo SUS. O presidente também mencionou o médico Otaviano de Oliveira Júnior ao destacar a qualificação dos especialistas envolvidos.
A proposta da Feluma é integrar o atendimento à população com o ensino universitário, permitindo que alunos acompanhem a rotina de serviços especializados sob supervisão de médicos do corpo clínico.
Hospital será relacionado ao programa Agora Tem Especialistas
Durante o anúncio, Alexandre Padilha também associou a transformação da unidade em um hospital 100% SUS à expansão do programa Agora Tem Especialistas, criado pelo Ministério da Saúde para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias eletivas.
Segundo o ministro, o programa possibilita que instituições como a Feluma obtenham créditos, inclusive tributários, em troca da realização de cirurgias e procedimentos de hemodiálise. Padilha informou que o país registrou quase 15 milhões de cirurgias em 2025, volume 42% superior ao de 2022. A expectativa do governo federal é ultrapassar essa marca em 2026.








