O Brasil alcançou a marca de 26 patrimônios tombados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), entre bens culturais e naturais. O acréscimo de cinco novos elementos mineiros amplia o peso de Minas Gerais no conjunto brasileiro de reconhecimentos pela UNESCO. O país já contava com outros patrimônios culturais, como o Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), que também integram a lista de Patrimônios Mundiais Culturais. A seguir, os cinco bens de Minas Gerais e o que cada um representa dentro desse catálogo internacional.
Ouro Preto (1980) – Primeiro bem cultural brasileiro reconhecido
Ouro Preto integrou a Lista do Patrimônio Mundial em 5 de setembro de 1980, tornando-se o primeiro bem cultural brasileiro a conquistar o título. O centro histórico da cidade preserva o núcleo urbano construído no período colonial, caracterizado por uma concentração de edifícios cívicos e religiosos que ilustram não apenas a arquitetura de época, mas também o urbanismo, o dinamismo econômico e a vida social associada à mineração de ouro que moldou a região naqueles séculos. A paisagem urbana revela, ainda hoje, traços marcantes da organização social e religiosa de uma época de grande prosperidade mineira.
Santuário do Bom Jesus de Congonhas (1985) – Esculturas de Aleijadinho e Paixão de Cristo
Situado na cidade de Congonhas, o Santuário do Bom Jesus de Congonhas recebeu o reconhecimento da UNESCO em 1985. O conjunto é conhecido por abrigar as estátuas dos 12 profetas esculpidas em pedra-sabão, bem como capelas que contêm esculturas em madeira policromada atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Essas obras dialogam com cenas da Paixão de Cristo, compondo um conjunto sacro que oferece um retrato marcante da religiosidade e da arte conceituada no período colonial brasileiro, principalmente pela integração entre a devoção religiosa, a escultura e a arquitetura que abriga o conjunto.
Centro Histórico de Diamantina (1999) – Arraial do Tijuco e Chica da Silva
Diamantina foi reconhecida como Sítio Histórico pela UNESCO em 1999. O local preserva a formação histórica do antigo Arraial do Tijuco, que ganhou destaque com as atividades de mineração de diamantes e com a figura histórica de Chica da Silva. O centro histórico exibe uma herança urbanística que mantém modelos europeus adaptados à realidade brasileira do século XVIII, refletindo as influências da mineração na vida social, econômica e arquitetônica da região, bem como a influência de populações locais na formação de uma cidade ligada à extração de pedras preciosas.
Conjunto Moderno da Pampulha (2016) – Arquitetura modernista brasileira
Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em 1940, o Conjunto Moderno da Pampulha tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO em 2016. O conjunto é composto por quatro edificações que simbolizam um marco da arquitetura moderna brasileira: a Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube. Além de sua importância arquitetônica, o conjunto representa uma experiência urbanística inovadora para a época, integrada ao lago e aos espaços de lazer, refletindo a visão de modernidade que influenciou o urbanismo e a cultura visionária brasileira no século XX.
Cânion do Rio Peruaçu (2025) – Patrimônio Natural no Norte de Minas
No Norte de Minas, o Cânion do Rio Peruaçu foi reconhecido como Patrimônio Natural pela UNESCO em 2025. O parque abriga vastas cavernas e uma biodiversidade rica, situando-se na confluência de biomas como Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Estima-se que a região abrigue mais de 2 mil espécies de plantas e animais, incluindo diversas espécies ameaçadas de extinção, o que ressalta a importância ecológica, científica e turística da área para a conservação e para o estudo de ecossistemas brasileiros.
A presença desses cinco patrimônios em Minas Gerais evidencia a diversidade de legados que o estado oferece, entre o patrimônio cultural herdado da era colonial, a presença de obras de arquitetura modernista que marcaram o atravessamento de épocas, e a riqueza de paisagens naturais que compõem a identidade ambiental da região.









