O nível de endividamento das famílias brasileiras apresentou uma redução de 0,1 ponto percentual em maio, de acordo com o mais recente relatório “Estatísticas Monetárias e de Crédito” divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central (BC). O índice, que mede a proporção do crédito total em relação à renda das famílias, atingiu 49,8% no mês passado, ficando próximo do recorde histórico registrado em dezembro de 2023, quando atingiu 49,9%. Apesar da ligeira queda, o indicador mostra uma elevação de 0,9 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando uma tendência de crescimento no endividamento ao longo dos últimos 12 meses.
O relatório do BC também destaca que a redução observada em maio ocorreu após a implementação do programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal no início de maio. Essa iniciativa, denominada oficialmente de Novo Desenrola Brasil, tem como objetivo principal diminuir o endividamento e a inadimplência da população brasileira, promovendo uma renegociação de dívidas e facilitando o acesso ao crédito de forma mais sustentável. A medida busca, sobretudo, aliviar a pressão financeira das famílias mais vulneráveis, contribuindo para a estabilidade econômica e o equilíbrio do sistema de crédito nacional.
Além do comportamento do endividamento, o documento revela que a inadimplência referente à carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) permaneceu estável em 4,7% durante maio, indicando que não houve variação significativa na quantidade de dívidas em atraso. Contudo, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o índice apresentou um aumento de 1,0 ponto percentual, refletindo uma leve deterioração na qualidade da carteira de crédito ao longo do último ano. Essa estabilidade no mês sugere que, apesar do crescimento da inadimplência em 12 meses, o mercado financeiro manteve um padrão de equilíbrio no curto prazo.
O relatório também detalha que, tanto entre empresas quanto entre famílias, a inadimplência manteve-se estável em maio, contribuindo para o resultado geral. No segmento de crédito com recursos livres, que compreende empréstimos e financiamentos negociados diretamente entre bancos e clientes, a taxa de inadimplência permaneceu em 6,2%. Essa estabilidade indica que, apesar das dificuldades econômicas enfrentadas por alguns setores, o risco de inadimplência nesse tipo de operação não apresentou variações significativas.
No que diz respeito ao crescimento do crédito, o documento aponta que, em junho, houve expansão no chamado crédito ampliado ao setor não financeiro, que atingiu R$ 21,7 trilhões, equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor representa um avanço mensal de 0,9%, impulsionado por aumentos em títulos públicos (0,7%), empréstimos do sistema financeiro (0,6%) e empréstimos externos (2,3%). Esses dados refletem uma ampliação do volume de recursos disponíveis para diferentes segmentos da economia, o que pode influenciar na dinâmica de consumo e investimento no país.
Por fim, o relatório do BC evidencia um aumento nas taxas de juros cobradas pelos bancos nas operações com cartão de crédito. Em junho, a taxa média do rotativo subiu 2,6 pontos percentuais, atingindo 442,4% ao ano, enquanto a taxa do cartão parcelado aumentou 1,8 ponto percentual, chegando a 191,4% ao ano. A taxa total do cartão de crédito também apresentou alta de 0,8 ponto percentual, fechando o mês em 97,4% ao ano. Esses aumentos refletem o cenário de elevação dos custos de crédito e podem impactar a capacidade de pagamento das famílias que utilizam esse tipo de financiamento.








