Uma operação de rotina realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-381, em Perdões, no Sul de Minas Gerais, resultou no resgate de cinco aves silvestres, incluindo três Trinca-ferros e dois Azulões. Os animais estavam escondidos em caixas e gaiolas improvisadas dentro de um veículo que trafegava de Sorocaba, no estado de São Paulo, com destino a Ponto dos Volantes, no Vale do Jequitinhonha. Durante a abordagem, os policiais também localizaram uma sacola contendo alimentos específicos para pássaros no porta-malas do carro.
O proprietário do veículo, um homem de 38 anos, foi autuado por transporte ilegal de animais silvestres e assinou um termo de compromisso, comprometendo-se a comparecer ao Juizado Especial Criminal da Comarca de Perdões para prestar esclarecimentos. O veículo foi apreendido e recolhido ao pátio credenciado, conforme determina a legislação ambiental vigente, e permanece à disposição da Justiça.
Durante a inspeção, os policiais verificaram que os animais estavam em condições de maus-tratos. As gaiolas apresentavam sinais de negligência, como ausência de recipientes com água ou alimento, além de um acúmulo de fezes em seu interior. Algumas aves estavam sendo transportadas em caixas de papelão sem ventilação adequada, o que representa risco à saúde e ao bem-estar dos animais. Um dos Trinca-ferros, em particular, apresentava-se muito maior do que a capacidade da gaiola em que se encontrava, indicando um possível problema de saúde ou de crescimento desproporcional.
Segundo informações da PRF, a distância prevista para o trajeto, aproximadamente 1.250 km, agravava ainda mais a situação de maus-tratos, uma vez que os animais seriam submetidos a condições de transporte prolongadas e incompatíveis com seu bem-estar. A prática de transportar aves silvestres sem autorização constitui crime previsto no artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais, além de configurar maus-tratos, que também é considerado crime sob a legislação brasileira.
A Polícia Militar de Meio Ambiente de Lavras, localizada a cerca de 28 quilômetros de Perdões, foi acionada para adotar as providências administrativas cabíveis e ficou responsável pelo cuidado das aves resgatadas. O proprietário foi notificado e, além de assinar o termo de compromisso, foi liberado após o procedimento legal, permanecendo sujeito às medidas judiciais cabíveis.
A operação reforça o combate ao tráfico e ao transporte ilegal de espécies silvestres, que representam uma ameaça à biodiversidade e ao equilíbrio ambiental. A legislação brasileira é rigorosa quanto à proteção de animais silvestres, proibindo sua captura, transporte, venda ou qualquer forma de exploração sem a devida autorização dos órgãos ambientais competentes. O caso também evidencia a necessidade de fiscalização contínua e ações integradas entre as forças policiais e órgãos ambientais para coibir práticas ilegais que colocam em risco a fauna brasileira.







