O Brasil formalizou nesta semana seu pedido de certificação internacional de eliminação da transmissão vertical da hepatite B, ou seja, aquela que ocorre de mãe para filho, junto à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS). A solicitação foi feita na terça-feira (28 de julho), durante uma cerimônia conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, evento de destaque na área de saúde global. Caso seja aprovada, essa certificação fará do Brasil o primeiro país das Américas a alcançar oficialmente esse marco na luta contra a hepatite B.
Para fundamentar o pedido, o Ministério da Saúde apresentou um dossiê detalhado aos dirigentes das organizações, incluindo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. Os dados demonstram que, por dois anos consecutivos, o Brasil atingiu uma prevalência de infecção ativa pelo vírus da hepatite B inferior a 0,1% entre crianças de até cinco anos de idade, atendendo ao critério internacional para a certificação de eliminação da transmissão vertical. Especificamente, o relatório aponta uma taxa de 0,0111%, valor significativamente abaixo do limite estabelecido, que é de 0,1%.
A entrega do documento ocorreu justamente no Dia Mundial contra as Hepatites Virais, comemorado em 28 de julho, em um evento promovido pelo governo brasileiro em parceria com a OMS, cujo tema foi “Hepatites: vamos derrubar as barreiras”. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esse momento representa uma conquista de décadas na luta contra as hepatites virais, reforçando o compromisso do país com a saúde pública. Em nota divulgada pelo ministério, Padilha destacou que o Brasil atingiu as metas para eliminação da transmissão vertical da hepatite B, com base no monitoramento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para que o país obtenha oficialmente a certificação, é necessário que a prevalência de infecção em crianças de até cinco anos seja inferior a 0,1%, o que foi comprovado pelo Ministério da Saúde com o índice de 0,0111%. Além disso, a cobertura de pré-natal deve ser igual ou superior a 95%, critério também atendido pelo Brasil, que registrou uma taxa de acompanhamento de 98% das gestantes em 2024 e 2025, conforme dados divulgados pelo ministério. Essas ações fazem parte de uma estratégia abrangente de prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento no SUS, incluindo a testagem durante o pré-natal, uso de tratamentos antivirais quando indicados e a vacinação de recém-nascidos.
O representante da OPAS, Jarbas Barbosa, ressaltou que a região das Américas tem demonstrado que é possível proteger as futuras gerações contra a hepatite B por meio de programas de vacinação e de serviços de saúde materno-infantil sólidos, além do compromisso político sustentado pelos países. Ele destacou que o Brasil está bem posicionado para avançar na validação, e que sua experiência pode servir de inspiração para outros países da região.
A análise do pedido será realizada pela OPAS e revisada por um comitê independente de especialistas. Posteriormente, a solicitação será submetida ao Comitê Mundial de Validação da OMS, responsável por verificar o cumprimento dos critérios e conceder a certificação. O Brasil já recebeu, em dezembro de 2025, a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV, e mantém compromisso de erradicar outras doenças de saúde pública, como sífilis, doença de Chagas e HTLV, fortalecendo sua atuação na área de saúde coletiva.








