A tradicional bebida brasileira, a cachaça, continua a consolidar sua presença no cenário nacional e internacional, especialmente por meio do fortalecimento do turismo de experiência e da valorização da produção artesanal. Entre os dias 6 e 8 de agosto, o CenterMinas Expo, em Belo Horizonte, sediará a 35ª edição da Expocachaça, evento que reunirá aproximadamente 250 expositores de 18 estados brasileiros, apresentando cerca de 2.000 marcas de produtos, insumos e equipamentos relacionados à destilação. Estima-se que a feira movimente R$ 30 milhões durante o evento e no período pós-feira, além de atrair um público de aproximadamente 25 mil pessoas.
A cachaça, símbolo da cultura brasileira com raízes que remontam ao período colonial, atravessou séculos de preconceitos e atualmente vive um momento de valorização, especialmente a produção artesanal e de alambique. Assim como vinícolas na França, destilarias na Escócia ou tequilerias no México, os alambiques brasileiros estão ganhando destaque por sua produção em pequenos lotes, com processos tradicionais que envolvem destilação lenta em alambiques de cobre. Esses métodos, que aproveitam as frações nobres da destilação — como cabeça, coração e cauda —, conferem características únicas às bebidas. Além disso, o envelhecimento em barris de madeiras variadas, como amburana, bálsamo, jequitibá, castanheira ou carvalho, imprime aromas, sabores e cores distintos, valorizando ainda mais a diversidade regional da cachaça.
O crescimento do turismo de experiência na área de cachaça é uma tendência que acompanha o aumento do interesse por gastronomia regional, agricultura familiar e práticas artesanais. Visitantes podem participar de roteiros que envolvem visitas a canaviais, processos de moagem, destilação e envelhecimento, além de degustações orientadas por produtores ou especialistas. Essa interação permite ao turista compreender as diferenças entre estilos, madeiras e níveis de maturação, além de conhecer o funcionamento de alambiques tradicionais e os detalhes de cada etapa da produção.
Dentre os principais alambiques que estarão na feira, destaca-se o Alambique Havana, de Salinas, considerado a “Capital Nacional da Cachaça”. Fundado na década de 1940 por Anísio Santiago, o local oferece visitas guiadas gratuitas que abrangem desde a moagem da cana até o envelhecimento em tonéis de bálsamo, além de degustações. Salinas é reconhecida por sua tradição na produção de cachaça artesanal e possui também o Museu da Cachaça, além de outros diversos produtores locais.
Outro destaque é o Alambique Século XVIII, localizado em Coronel Xavier Chaves, próximo a Tiradentes e São João del-Rei. Considerado um dos mais antigos em funcionamento no Brasil, o roteiro inclui a visita a equipamentos históricos e a explicação do método tradicional de destilação em cobre, com degustação de três rótulos. A experiência integra o Tour Vivencial dos Alambiques, uma iniciativa turística bastante apreciada na região da Trilha dos Inconfidentes.
Na região de Nova União, a Cachaçaria Germana, fundada em 1912, mantém viva a tradição de produção artesanal. A destilação ocorre em alambique de cobre com fogo direto, garantindo a suavidade e o sabor característico de seus rótulos, que podem ser degustados após visitas às áreas de produção e aos tonéis de envelhecimento. A visita é gratuita e deve ser agendada previamente.
No estado de Minas Gerais, o Alambique Guarani, em Guarani, oferece visitas guiadas às sextas e sábados, às 11h, 13h e 15h, com possibilidade de agendamento para outros dias e grupos maiores. O roteiro inclui a explicação de todas as etapas de produção e uma degustação final.
Fora de Minas Gerais, a Rota dos Alambiques em Paraty, no Rio de Janeiro, destaca-se por sua conexão histórica com o ciclo do ouro e pela beleza natural da Mata Atlântica. A rota inclui visitas a alambiques tradicionais, como Caiana, Coqueiro, Engenho D’Ouro, entre outros, além de opções de gastronomia, lojas de produtos artesanais e passeios às cachoeiras locais.
No Nordeste, o Engenho Triunfo, na cidade de Areia, na Paraíba, oferece uma experiência completa, com visitas às etapas de produção, museu, loja e restaurante, além de uma vista privilegiada da paisagem serrana. O local também faz parte de uma rede de turismo que inclui o Engenho Cacau, produtor de chocolates artesanais, ampliando a experiência cultural e gastronômica.
No Rio Grande do Sul, a Weber Haus, fundada em 1948 por descendentes de imigrantes alemães, é uma das cachaçarias mais premiadas do país. Localizada em Ivoti, oferece visitas que envolvem o canavial, o processo de destilação, as caves de envelhecimento e o museu da família, além de degustações orientadas.
Na Região Sudeste, a Cachaça Magnífica de Faria, produzida na histórica fazenda Anil, no Vale do Café, em Vassouras, combina patrimônio histórico, natureza e gastronomia. A produção artesanal de alto padrão é acompanhada por visitas aos alambiques de cobre, aos barris de envelhecimento e à narrativa da história local, com agendamento por e-mail ou telefone.
Além do foco na produção e turismo, a Expocachaça 2023 também integra a 19ª Brasil Bier e a 4ª Minas + Doce, ampliando a conexão entre diferentes segmentos de bebidas artesanais, gastronomia e economia criativa. O evento busca fortalecer a reputação da cachaça brasileira, promover o intercâmbio de conhecimentos e aproximar consumidores de produtores, contribuindo para a valorização do destilado de origem nacional. Os ingressos custam R$ 50 a inteira e R$ 25 a meia-entrada, com venda também na bilheteria do evento, e o público poderá apreciar uma diversidade de estilos e descobrir tendências que reafirmam a importância cultural e econômica da cachaça no Brasil.








