O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), manifestou-se publicamente acerca da escolha do deputado federal Alfredo Gaspar, do União Brasil, como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Em uma postagem nas redes sociais, Boulos criticou duramente a indicação, ressaltando as suspeitas e acusações que envolvem Gaspar, e relacionando-as a práticas que, segundo ele, configuram uma combinação de corrupção e irregularidades.
De acordo com o ministro, Gaspar foi indicado para o cargo de vice-presidente da chapa de Flávio Bolsonaro mesmo estando sob suspeita de envolvimento em um grave caso de estupro de vulnerável. Boulos destacou que, em março passado, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentaram indícios de que Gaspar teria cometido o crime contra uma menina de 13 anos, que supostamente teria engravidado. O caso foi encaminhado à Polícia Federal, mas Gaspar nega as acusações.
Além da acusação de estupro, Boulos também apontou investigações relacionadas à utilização de emendas parlamentares por Gaspar. Segundo o ministro, o deputado é investigado por ter enviado R$ 6 milhões em emendas PIX para um prefeito do município de São José da Laje, em Alagoas. Essa movimentação financeira foi alvo de análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou indícios de irregularidades na destinação dos recursos públicos. O valor, segundo informações do próprio TCU, foi enviado durante o período em que Gaspar atuava como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, órgão responsável por investigar fraudes e irregularidades na concessão de benefícios previdenciários.
A crítica de Boulos reforça a percepção de que há uma conexão entre as práticas de corrupção, como o chamado “orçamento secreto”, e a indicação de Gaspar para uma posição de destaque na chapa de Flávio Bolsonaro. A expressão “rachadinha”, usada pelo ministro, refere-se a um esquema de desvio de recursos públicos ou de salários de assessores, frequentemente associado a práticas ilícitas de políticos brasileiros, enquanto “orçamento secreto” remete às operações de repasse de verbas públicas sob sigilo e sem transparência, muitas vezes utilizadas para fins políticos ou pessoais.
A controvérsia em torno da indicação de Alfredo Gaspar ganhou destaque na mídia e no cenário político, intensificando o debate sobre integridade e ética na escolha de candidatos a cargos de liderança. As acusações ainda não foram julgadas, e Gaspar nega qualquer irregularidade, alegando que as investigações não comprovam suas supostas práticas ilícitas. Por sua vez, a chapa de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas de Boulos.
Este episódio evidencia o clima de tensão e polarização que marca o atual momento político no Brasil, especialmente em torno da formação de alianças e da escolha de candidatos à presidência, com debates acalorados sobre corrupção, transparência e ética na política brasileira.









