Um novo boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que o fenômeno climático El Niño deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026, atingindo a categoria de “muito forte” entre a primavera e o início do verão. A previsão indica que essa fase do fenômeno aumentará a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil, especialmente nas regiões Sul e Norte, trazendo impactos que podem afetar a infraestrutura, a agricultura e o abastecimento de água no país.
Segundo o Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, há uma probabilidade de 100% de o fenômeno se manter ativo pelo menos até o início de 2027. A possibilidade de o El Niño atingir sua intensidade máxima, caracterizada por um aquecimento das águas do Oceano Pacífico superior a 2°C, é considerada elevada pelos especialistas. Este padrão de aquecimento está relacionado a alterações na circulação atmosférica global, influenciando o regime de ventos, a distribuição de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Historicamente, o Sul do Brasil é a região mais sensível às manifestações do El Niño. A previsão indica uma maior frequência de chuvas acima da média, acompanhadas de temporais, enchentes de rios, alagamentos e deslizamentos de terra. Os eventos de julho no Rio Grande do Sul, que provocaram enchentes em diferentes municípios, já representam os primeiros impactos observados do fenômeno neste ciclo. O boletim reforça que a situação exige atenção especial, uma vez que a região não apresenta déficit hídrico, o que significa que o solo já possui uma quantidade significativa de água. Essa condição favorece o rápido transbordamento dos rios diante de episódios de chuvas intensas, aumentando o risco de desastres naturais.
Na região Norte, especialmente na Amazônia, a previsão é de redução das chuvas, temperaturas superiores à média e atraso no início da estação chuvosa. Essas condições favorecem a persistência da estiagem, que já impacta a disponibilidade hídrica na região. O boletim destaca que esse padrão de seca prolongada aumenta o risco de incêndios florestais, além de contribuir para o ressecamento da vegetação. Os indicadores mostram um avanço da estiagem em diversas sub-bacias da bacia amazônica, embora algumas áreas ainda apresentem níveis próximos do normal. A ausência de chuvas significativas nas próximas semanas pode agravar ainda mais a situação, afetando a navegação, o abastecimento de água e atividades econômicas dependentes dos rios na região.
A previsão do Inmet reforça a necessidade de monitoramento contínuo e de medidas preventivas, especialmente nas áreas mais vulneráveis às consequências do El Niño. A intensidade do fenômeno e seus efeitos extremos representam um desafio para gestores públicos, comunidades e setores econômicos, que devem se preparar para possíveis eventos climáticos severos até o início de 2027.









