Um vazamento de polpa de minério ocorrido nesta quinta-feira (6) em uma tubulação da mineradora CSN, localizada em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, resultou na contaminação do córrego Maria José, afluente do rio Maranhão. A situação foi identificada por funcionários da Vale, que acionaram imediatamente a Defesa Civil do município e o Núcleo de Inteligência Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, que também foi notificado sobre o incidente. A administração municipal informou que o sedimento vazado possuía alta concentração de minério, atingindo o córrego Maria José, localizado na zona rural de Congonhas, causando impacto na fauna e flora locais.
Segundo o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, em entrevista à Itatiaia, a Prefeitura ainda não havia sido formalmente notificada oficialmente sobre o ocorrido até o momento da entrevista. Ele destacou que o episódio ocorreu próximo a um evento semelhante registrado em janeiro, reforçando a vulnerabilidade ambiental da região. Ainda assim, o secretário garantiu que não houve danos à população, mas que o episódio resultou em prejuízos à biodiversidade local, com equipes técnicas da prefeitura realizando inspeções e coleta de informações no local.
A CSN, em nota oficial, esclareceu que o vazamento foi pontual e ocorreu na tubulação que conduz minério até a área de filtragem na Mina Casa de Pedra. A empresa afirmou que o incidente foi de caráter limitado e que o vazamento de sedimentos foi rápido, sendo controlado imediatamente após sua detecção. A mineradora ressaltou que, assim que o problema foi identificado, o bombeamento na tubulação foi interrompido, equipes de manutenção e de meio ambiente foram mobilizadas e o episódio foi resolvido sem maiores intercorrências. A companhia também informou que está realizando a limpeza do local e que o monitoramento preventivo permanece ativo, sob responsabilidade de suas equipes técnicas e ambientais. No entanto, a CSN não respondeu às perguntas sobre eventual notificação à administração municipal acerca do incidente.
Ainda de acordo com a Prefeitura de Congonhas, o material vazado chegou até a portaria da Mina Viga, operada pela Vale, que, por sua vez, declarou que realiza a limpeza do local e que não há relação do vazamento com as operações da mina, que está com suas atividades suspensas desde janeiro. Essa suspensão ocorreu após um episódio de extravasamento de água em um sump, uma estrutura de drenagem, que levou à paralisação temporária das atividades.
Durante a vistoria realizada pelo Núcleo de Inteligência Ambiental na região próxima à mina da CSN, equipes observaram que os rejeitos já haviam atingido a estrada municipal que dá acesso às localidades de Esmeril e Jeceaba, onde uma escavadeira realizava a remoção do material. Ainda não foi possível estimar o volume exato de rejeitos vazados. Utilizando drones, as equipes também identificaram que os rejeitos chegaram ao córrego Maria José, no ponto de encontro com o rio Maranhão, além de constatar uma elevada turbidez na água. As análises laboratoriais para determinar o grau de contaminação ainda serão realizadas, com resultados previstos para até cinco dias.
A administração municipal de Congonhas informou que equipes de fiscalização continuam diligenciando na região para coletar informações que subsidiarão a elaboração de um auto de infração. Ainda não há uma avaliação definitiva sobre a extensão dos danos ambientais, mas as amostras coletadas serão enviadas para análise laboratorial, cujo resultado deverá auxiliar na compreensão do impacto na qualidade da água e na biodiversidade local.









