Uma nova inspeção realizada pela Defesa Civil de Belo Horizonte na tarde deste sábado, 8 de agosto, revelou diferentes níveis de danos estruturais em três galpões da fábrica de eletrodomésticos Suggar, localizada no bairro Pilar, na região Oeste da capital mineira. A vistoria ocorreu após o incêndio de grandes proporções que atingiu o complexo industrial na madrugada de sexta-feira, 7 de agosto, e resultou na interdição preventiva de várias áreas próximas à fábrica.
Durante a inspeção, engenheiros do órgão avaliaram também uma construção vizinha ao complexo, identificando riscos que levaram à total ou parcial restrição de acesso a determinados locais. No galpão utilizado como estoque, a destruição provocada pelas chamas foi considerada total, com risco iminente de colapso da cobertura metálica e das paredes remanescentes. Como medida de segurança, o espaço foi completamente interditado. No caso do galpão de produção, os técnicos constataram condições insalubres e risco de desabamento de parte do telhado e do mezanino, onde funcionava a sala dos líderes de produção, levando à interdição apenas das áreas afetadas.
Outro ponto de atenção foi o galpão dedicado às linhas injetoras, onde foram encontrados trechos de tijolos cerâmicos que já haviam caído, além de vigotas com ferragens expostas. A estrutura da parede que separa os galpões também apresenta risco de queda, o que motivou a interdição parcial do local. Além disso, a vistoria incluiu o imóvel de número 152, vizinho ao galpão mais danificado, que recebeu o isolamento preventivo dos fundos devido à possibilidade de materiais da estrutura atingida pelo incêndio caírem sobre a área. Os moradores dessa residência foram orientados sobre os riscos e receberam notificação formal.
As ações tomadas pela Defesa Civil foram formalizadas em documento entregue ao responsável legal pela Suggar, estabelecendo medidas preventivas para reduzir os riscos estruturais no complexo industrial. O Corpo de Bombeiros informou que o incêndio teve início por volta de 0h50 de sexta-feira, 7 de agosto, e que, apesar do volume das chamas, não houve feridos ou vítimas.
Antes da vistoria complementar, a Defesa Civil também interditou preventivamente quatro imóveis próximos à fábrica, sendo três casas na Rua Professor Otílio Macedo, que tiveram suas estruturas totalmente isoladas devido ao risco de desabamento, obrigando os moradores a deixarem temporariamente os imóveis. Uma quarta residência, na Rua Jerônimo Marcucci, teve apenas a área externa interditada. O atendimento ao incêndio foi classificado pelo Corpo de Bombeiros como de alta complexidade, devido à presença de materiais plásticos e líquidos inflamáveis, como óleos utilizados na fabricação de eletrodomésticos, que facilitaram a rápida propagação do fogo.
A Suggar divulgou nota informando que o incêndio atingiu parte de sua unidade dedicada à produção de lavadoras semiautomáticas, depuradores de ar, cooktops e fornos elétricos. A empresa garantiu que todos os colaboradores presentes no momento foram evacuados em segurança, sem registros de feridos. Além disso, comunicou que está realizando o remanejamento de matérias-primas e de linhas de produção para suas demais unidades, a fim de assegurar a continuidade operacional.
Horas após o início do incêndio, o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, tenente Henrique Barcelos, revelou que a fábrica operava sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) desde 2022, documento que atesta as condições de segurança contra incêndio e pânico. Segundo ele, uma vistoria realizada na época identificou falhas na estrutura, levando à notificação da Suggar e à não liberação para funcionamento. Ainda de acordo com Barcelos, durante o combate às chamas, os bombeiros tentaram usar um hidrante instalado na própria fábrica, mas o equipamento não funcionou, dificultando as ações de combate ao incêndio.
A Suggar afirmou que todos os sistemas de proteção contra incêndio, incluindo hidrantes, detectores e alarmes, passaram por vistoria técnica independente em julho de 2026, realizada por uma empresa de engenharia responsável pelo Processo de Segurança Contra Incêndio e Pânico (PSCIP), garantindo a conformidade dos dispositivos.







