O filme “Honestino”, que estreia nesta quinta-feira (13/8) nos cinemas, retrata a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido em 1973 após ser preso durante a ditadura militar brasileira. A produção, dirigida por Aurélio Micheles, combina elementos de documentário e ficção, apresentando depoimentos de familiares e amigos de Honestino ao lado de cenas dramatizadas. A obra busca resgatar a história do militante, que se tornou símbolo da resistência democrática no Brasil, e que desapareceu após sua última detenção pelo Centro de Informações da Marinha, sem que seu corpo fosse localizado até hoje.
Honestino Guimarães, que tinha 26 anos na época do desaparecimento, foi uma figura central no movimento estudantil na Universidade de Brasília (UnB). Ele foi expulso da instituição em 1968, após liderar ações de resistência contra o regime militar instaurado em 1964. Sua atuação política lhe rendeu várias prisões, totalizando cinco detenções ao longo de sua militância. Durante a última, em 1973, ele foi capturado pelos agentes do Estado e nunca mais foi visto, o que gerou um de seus maiores mistérios: o desaparecimento e a ausência de um corpo que confirmasse sua morte.
O filme também traz registros pessoais, como imagens de Honestino ao lado de sua esposa, Isaura, e de sua filha, Juliana. A narrativa enfatiza a importância de manter viva a memória do líder estudantil, especialmente para as novas gerações, e reforça a relevância de sua luta pela democracia. A produção inclui cenas gravadas na Universidade de Brasília, onde Honestino estudou e foi expulso, além de outras locações que ajudam a contextualizar o período de repressão.
Bruno Gagliasso, que interpreta Honestino Guimarães, afirmou que não conhecia a história do líder estudantil antes de aceitar o papel. Em coletiva de imprensa, o ator destacou que sua participação foi mais do que uma atuação: representou um compromisso pessoal com a história e a memória de Honestino. Ele relatou que, apesar do desafio de interpretar um personagem cuja imagem real não foi preservada em vídeos, mergulhou na personagem de forma intensa. Gagliasso também compartilhou uma experiência emocional ao ouvir de Isaura que sua atuação tinha semelhanças físicas com Honestino, mesmo sem ter acesso a imagens do líder, o que reforçou seu esforço de composição.
A ausência de registros audiovisuais de Honestino Guimarães dificultou a construção do personagem para o ator, que afirmou ter se dedicado a entender o perfil do líder a partir de relatos de pessoas próximas. A produção busca não apenas contar sua história, mas também promover o reconhecimento de sua importância na luta contra a repressão militar.
A Comissão Nacional da Verdade concluiu que Honestino foi preso por agentes do Estado, mas não conseguiu esclarecer as circunstâncias de sua detenção ou a causa de sua morte. Desde então, seu corpo nunca foi localizado, mantendo o mistério em torno de seu desaparecimento. Em 2024, a Universidade de Brasília concedeu-lhe um diploma póstumo em reconhecimento à sua trajetória acadêmica e política, reforçando a relevância de sua memória na história brasileira.









