A Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte anunciou que irá solicitar à prefeitura e à gestão do Hospital Odilon Behrens, localizado na Região Noroeste da capital, que suspendam a redução no quadro de pediatras da unidade. A medida, que vem sendo implementada desde o fim do estado de emergência declarado em 6 de junho devido à diminuição de atendimentos por síndromes respiratórias, tem gerado preocupação entre os profissionais de saúde, que alertam para possíveis impactos negativos na qualidade do atendimento pediátrico.
Durante audiência pública realizada nesta quarta-feira, 12 de outubro, a discussão foi conduzida pelo vereador Dr. Bruno Pedralva (PT), que destacou a relevância do tema. O hospital, reconhecido por sua alta complexidade e referência no atendimento de vítimas de violência sexual infantil, afirmou que a redução de pediatras não compromete o sistema de saúde da unidade. Raquel Felisardo Rosa, superintendente do Complexo Hospitalar Odilon Behrens, argumentou que a demanda por atendimento pediátrico na instituição é baixa, apresentando dados que, segundo ela, justificam a redução.
De acordo com Rosa, em 2022, o hospital atendia uma média de 94 crianças por dia, o que, dividido por até 10 profissionais de pediatria, resultava em menos de um paciente por hora por profissional. Ela afirmou ainda que, em 2023, esse número foi ligeiramente menor, variando entre 0,7 e 0,9 atendimentos por hora, considerando o período sazonal de menor demanda. A superintendente ressaltou que, fora desse período, a quantidade de crianças atendidas é ainda menor, o que, na sua avaliação, demonstra que a redução não prejudica o funcionamento do setor.
Por sua vez, o vereador Dr. Bruno Pedralva questionou os números apresentados pelo hospital, alegando que eles não refletem a realidade observada na prática. Ele explicou que, anteriormente, o quadro de pediatras incluía seis profissionais no plantão diurno e cinco no noturno, sendo que atualmente esse número caiu para quatro e três, respectivamente. Segundo ele, essa redução de profissionais pode afetar a qualidade do atendimento, especialmente em casos mais complexos, que demandam maior atenção.
Representantes do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais e da Sociedade Mineira de Pediatria também participaram da audiência, defendendo a manutenção do quadro de profissionais, independentemente das estatísticas apresentadas pelo hospital. A diretora Ariete Domingues de Araújo destacou que, em um hospital de alta complexidade como o Odilon Behrens, a preservação da qualidade do atendimento deve prevalecer, pois a dificuldade de recompor equipes de médicos especializados é grande. Ela reforçou que a perda de profissionais pode comprometer a assistência, especialmente em situações de maior complexidade.
A pediatra Ludmila Machado Ferráz, concursada no hospital, criticou a justificativa da prefeitura de que a baixa demanda justificaria a redução. Ela explicou que o atendimento de um pronto-socorro é imprevisível e varia ao longo do dia, com picos de maior movimento em determinados horários, o que pode não estar refletido nos dados apresentados. Segundo ela, essa variabilidade é natural e deve ser considerada na avaliação da necessidade de profissionais.
Em nota oficial, a prefeitura de Belo Horizonte afirmou que o hospital mantém seus atendimentos conforme critérios técnicos que garantem a segurança dos pacientes. A administração municipal destacou que há variações na quantidade de atendimentos devido às sazonalidades, e que os índices de desempenho do hospital melhoraram significativamente. Apesar do aumento de casos respiratórios entre crianças nesta época do ano, a prefeitura garantiu que a procura por atendimento pediátrico na unidade não atingiu níveis que comprometam a assistência adequada, reforçando a necessidade de reavaliar a redução de profissionais.








