O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi detido na quarta-feira, dia 12, pela Polícia Federal (PF), após permanecer foragido desde novembro de 2025. Lopes se apresentou na Superintendência Regional da PF no Distrito Federal e deverá ser encaminhado ao sistema prisional, encerrando um período de mais de um ano de busca por parte das autoridades. Sua prisão ocorre no âmbito da Operação Sem Desconto, uma investigação que apura um esquema de descontos irregulares aplicados sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), responsável por aposentadorias e pensões no Brasil.
A operação, que entrou na sua nona fase em novembro de 2025, revelou um esquema sofisticado de desvios de recursos públicos, com prejuízo estimado em mais de R$ 708 milhões. Segundo informações da Polícia Federal, o esquema envolvia a aplicação de descontos não autorizados sobre os benefícios pagos pelo INSS, cujo objetivo era desviar valores destinados a aposentados e pensionistas. Lopes, que liderava o núcleo da Conafer investigado na operação, foi alvo de um mandado de prisão expedido na ocasião, mas conseguiu permanecer foragido até sua recente localização e captura.
A investigação aponta que os valores obtidos por meio desses descontos ilegais eram direcionados a empresas de fachada, usadas para lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Parte do montante teria sido também utilizada para pagar vantagens indevidas a agentes públicos e políticos, configurando uma rede de corrupção que envolvia operadores financeiros, empresários, dirigentes da própria Conafer e agentes públicos. Os recursos desviados eram utilizados para sustentar uma estrutura criminosa que buscava garantir a continuidade do esquema de descontos sobre os benefícios do INSS, dificultando a fiscalização e aumentando o prejuízo ao sistema previdenciário.
O relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) indica que Lopes desempenhava papel central nesse núcleo criminoso, sendo considerado o líder do grupo responsável pelos desvios. Além dele, 48 pessoas foram indiciadas na investigação, que detalha uma complexa rede de operadores e intermediários envolvidos na operação ilícita. A PF destacou ainda que parte dos valores desviados era destinada a empresas de fachada, utilizadas como instrumentos para lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, configurando um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro de grande escala.
A prisão de Lopes na quarta-feira não foi a primeira ocasião em que ele esteve sob custódia. Em setembro de 2025, ele havia sido preso pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, após os integrantes da comissão avaliarem que Lopes havia mentido durante seu depoimento. Na ocasião, Lopes permaneceu custodiado em uma sala do Senado, sendo posteriormente liberado mediante pagamento de fiança. Sua nova prisão representa um avanço nas investigações, que continuam buscando esclarecer toda a extensão do esquema e responsabilizar os envolvidos.
As investigações sobre o núcleo da Conafer fazem parte de um inquérito mais amplo que apura a estrutura responsável pelos descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, revelando um quadro de corrupção que compromete a integridade do sistema previdenciário brasileiro. A operação destaca a importância de ações de fiscalização e combate a fraudes que prejudicam milhões de aposentados e pensionistas, além de reforçar o compromisso das autoridades na punição de organizações criminosas envolvidas em desvios de recursos públicos.








