Mergulhadores e historiadores do projeto de pesquisa marítima ProjectXplore anunciaram a descoberta dos destroços do HMS Tiger, um contratorpedeiro da Marinha Real Britânica que desapareceu em 1908, na costa da Ilha de Wight, na Inglaterra. A revelação ocorreu após cinco anos de investigação em arquivos históricos e levantamento de informações que permitiram delimitar a área provável de localização do navio. A embarcação, que afundou durante um exercício naval noturno, foi atingida ao meio pelo cruzador HMS Berwick, resultando na morte de grande parte da tripulação. A descoberta representa um marco na preservação do patrimônio marítimo britânico e ocorre em um momento de debates legislativos sobre a proteção de naufrágios militares.
O HMS Tiger desapareceu em circunstâncias dramáticas durante manobras militares realizadas à noite, em 1908. Na ocasião, o contratorpedeiro, que tinha aproximadamente 400 toneladas, entrou na rota do HMS Berwick, um cruzador de cerca de 10 mil toneladas. A colisão ocorreu de forma rápida, sem tempo suficiente para manobras de emergência, levando o Berwick a atingir o centro do Tiger. Como consequência, o navio foi partido ao meio: a proa afundou quase imediatamente, levando o comandante e vários tripulantes, enquanto a popa permaneceu na superfície por aproximadamente três minutos antes de também desaparecer no mar. O desastre foi amplamente noticiado na época, com destaque nas primeiras páginas dos jornais, além de uma mensagem de condolências enviada pelo rei Eduardo VII e a produção de cartões-postais em homenagem aos mortos.
A busca pelos destroços do HMS Tiger permaneceu infrutífera por mais de um século, apesar dos esforços contínuos da Marinha Real e de especialistas em naufrágios. Somente após extensas pesquisas, que envolveram análise de registros históricos e levantamento de dados, o projeto ProjectXplore conseguiu localizar o navio no meio do Mar do Norte. A equipe responsável pela descoberta destacou a importância do achado, afirmando que o trabalho garante a preservação da memória da embarcação e de seus tripulantes para as futuras gerações. Entre os vestígios encontrados estão um tubo de torpedo Whitehead, uma arma submarina movida por propulsão própria, utilizada por navios de guerra na época.
A descoberta do HMS Tiger reacende o debate sobre a legislação de proteção a naufrágios militares no Reino Unido. Atualmente, a Lei de Proteção de Restos Militares permite a proteção legal de alguns locais, porém essa proteção não é automática e possui limites temporais, abrangendo navios perdidos nos últimos 200 anos. Em resposta, o Parlamento britânico avalia um projeto de lei que propõe ampliar essas medidas, tornando a proteção automática assim que os destroços forem encontrados. A proposta também prevê a criminalização da remoção ou perturbação de objetos nesses locais sem autorização, além de eliminar o limite de 200 anos, incluindo embarcações muito mais antigas, como navios ligados à Armada Espanhola ou outros que tenham servido ao Reino Unido sob comando do Almirantado. A legislação atual permite, no entanto, que mergulhadores continuem visitando esses locais, desde que respeitem o princípio de “olhar, mas não tocar”.
Segundo a ministra das Forças Armadas, Louise Sandher-Jones, a iniciativa visa proteger a segurança nacional e preservar o patrimônio marítimo e a memória daqueles que serviram ao país. Ela destacou que as novas regras garantiriam a proteção dos locais históricos desde o momento da descoberta, conferindo dignidade e respeito às embarcações e tripulações desaparecidas. A discussão legislativa ocorre em um momento em que o Parlamento analisa mudanças na legislação, refletindo a importância de equilibrar a preservação histórica com a segurança e o respeito às memórias militares.









