O astronauta da NASA Don Pettit, que realizou quatro missões à Estação Espacial Internacional (ISS), utilizou suas viagens ao espaço para captar imagens de diversas metrópoles mundiais e documentar as transformações ocorridas na iluminação urbana ao longo dos anos. Entre as cidades fotografadas estão São Paulo, Seul, Cidade do México, Hong Kong, Miami, Chicago e Las Vegas. O foco de Pettit foi registrar a transição global do uso de lâmpadas de vapor de sódio, que predominavam na iluminação pública, para as modernas lâmpadas de LED, que atualmente dominam as áreas urbanas.
As imagens compiladas por Pettit evidenciam uma mudança notável na coloração das cidades durante a noite. Nas fotografias mais antigas, é possível observar uma predominância de tons amarelo-alaranjados, decorrentes do uso de lâmpadas de vapor de sódio, que eram amplamente utilizadas até o final dos anos 2000. Com o avanço tecnológico e a adoção crescente do LED, as cidades passaram a exibir pontos de luz mais brancos e brilhantes, refletindo a maior eficiência e durabilidade dessas novas fontes de iluminação. Essa evolução é visível em imagens com mais de 20 anos de diferença, que Pettit compartilhou em seu perfil na plataforma X, antes conhecida como Twitter.
Contexto da adoção de iluminação LED
As lâmpadas de LED começaram a se popularizar no mercado a partir do final dos anos 2000, embora sua tecnologia tenha sido desenvolvida na década de 1960. A crescente eficiência, menor consumo de energia e maior durabilidade fizeram com que governos e administrações municipais acelerassem a substituição das antigas lâmpadas de vapor de sódio por LEDs, especialmente após a descoberta do LED azul, que levou ao reconhecimento com o Prêmio Nobel de Física em 2014.
Apesar das vantagens técnicas, a transição enfrentou resistência por parte do público, que criticava a iluminação mais forte e fria produzida pelos LEDs, muitas vezes associada a uma aparência estéril e à dificuldade de dormir em ambientes iluminados por essas lâmpadas. No entanto, a aceitação por parte de autoridades e gestores públicos foi rápida, impulsionada pelos benefícios de maior durabilidade e menor consumo energético, fatores que contribuíram para a redução de custos e impacto ambiental nas cidades.
Impactos e desafios atuais da iluminação LED
Hoje, os LEDs dominam a iluminação urbana, com a maioria das cidades adotando essa tecnologia em larga escala. Os avanços no desenvolvimento de lâmpadas com brilhos mais suaves ajudaram a tornar a iluminação mais confortável para a vista, e muitas residências também passaram a utilizar LEDs, que oferecem maior eficiência energética e menor custo de manutenção.
Contudo, o aumento do uso de LEDs acarreta desafios ambientais e ecológicos. Os céus noturnos têm ficado progressivamente mais claros, o que prejudica a observação astronômica, além de afetar os hábitos de animais noturnos e de espécies que dependem do ciclo natural de luz e escuridão. Esse fenômeno é atribuído ao crescimento das cidades, ao barateamento das lâmpadas de LED e à expansão da iluminação pública, que, apesar de benéfica para a segurança e mobilidade urbana, contribui para a poluição luminosa.
Algumas iniciativas de preservação do céu noturno ainda utilizam LEDs âmbar em áreas específicas, como reservas naturais, onde a redução do brilho é prioridade. A evolução na iluminação urbana, portanto, apresenta tanto avanços quanto desafios, refletindo uma transformação que acompanha o crescimento das cidades e o desenvolvimento tecnológico.








