O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de Minas Gerais, deputado federal Patrus Ananias, afirmou nesta terça-feira (18) que há necessidade de revisão na política de incentivos fiscais adotada pelo estado. Em entrevista concedida à série de sabatinas promovida pela Itatiaia, Ananias criticou a gestão atual do Palácio Tiradentes, alegando que ela esteve a serviço do setor privado, em detrimento do bem-estar da população mineira. Segundo o candidato, essa postura resultou em um desgoverno que favoreceu interesses privados às custas das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social e econômico do estado.
Durante a entrevista, Patrus Ananias abordou a questão da transparência na divulgação das empresas beneficiadas por incentivos fiscais em Minas Gerais. Ele garantiu que, caso seja eleito, promoverá a abertura de uma lista detalhada dessas companhias, reforçando seu compromisso com a transparência na gestão pública. Apesar de defender a necessidade de maior controle, o candidato afirmou que não é contra parcerias com o setor privado, desde que essas sejam pautadas pelo interesse público e pelo bem comum. Para ele, o setor privado deve cumprir suas obrigações fiscais de forma correta, enquanto os recursos públicos devem ser destinados às políticas públicas essenciais para o desenvolvimento do estado.
Ananias criticou duramente o que chamou de “regalias” concedidas a determinados setores privados, destacando que essas favorecem lucros de poucos em detrimento do interesse coletivo. No entanto, reconheceu que há circunstâncias em que a colaboração com empresas inovadoras, que promovam tecnologias e ampliem oportunidades de emprego, pode ser discutida, desde que haja uma avaliação criteriosa e transparente. Ele reforçou ainda seu compromisso de abrir as contas públicas para a sociedade, promovendo maior controle social sobre os recursos estaduais.
Um dos temas destacados na entrevista foi a reestruturação da malha viária de Minas Gerais. Patrus Ananias revelou que, no início de sua trajetória política, era contra a concessão de estradas ao setor privado, mas que sua posição mudou após observar melhorias na infraestrutura viária durante suas viagens pelo estado. Segundo ele, a experiência o levou a entender que a privatização, quando bem gerida, pode ser uma alternativa viável para a manutenção e ampliação das rodovias estaduais. Ainda assim, o candidato alertou para a necessidade de discutir a cobrança de pedágios, especialmente no que diz respeito à cobrança múltipla no mesmo pórtico, defendendo que motoristas que passam pelo mesmo ponto mais de uma vez ao dia deveriam pagar apenas uma tarifa.
No que se refere à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Patrus Ananias afirmou que foi contrário ao processo de venda, considerado por ele uma decisão “rigorosamente” equivocada. Contudo, reconheceu que, após a venda, rever a decisão não será uma tarefa fácil, e que o papel do estado deve ser de diálogo com os novos controladores da empresa. Sua intenção, segundo afirmou, é garantir que a Copasa cumpra seu papel de serviço público de qualidade, sempre resguardando o interesse da população.
Por fim, o candidato declarou que é contra a privatização ou federalização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Ele reforçou que a estatal deve permanecer sob controle do estado, visto que representa um patrimônio do povo mineiro e uma conquista histórica do estado. Patrus Ananias afirmou que, apesar de discutir a dívida do estado, a prioridade deve ser a preservação da Cemig como uma empresa pública, fortalecendo sua atuação como uma das principais empresas de energia do país e símbolo do desenvolvimento de Minas Gerais.









