Escavações recentes realizadas em uma basílica submersa localizada no Lago İznik, na Turquia, trouxeram à tona vestígios de uma estrutura religiosa ainda mais antiga do que a igreja atualmente conhecida, reforçando a hipótese de uma conexão com eventos históricos de grande relevância para o cristianismo. A descoberta, realizada por uma equipe liderada pelo arqueólogo Mustafa Şahin, da Universidade Bursa Uludağ, amplia o entendimento sobre a evolução das edificações religiosas na região e levanta possibilidades sobre a relação do local com o Primeiro Concílio de Niceia, realizado em 325 d.C.
A basílica submersa foi inicialmente identificada em 2014, a aproximadamente 50 metros da margem do Lago İznik, uma área de grande importância histórica e arqueológica. As escavações começaram em 2015, e desde então têm revelado detalhes sobre a estrutura antiga, que se encontra sob as águas do lago devido a eventos de destruição e mudanças ambientais ao longo dos séculos. A campanha de 2026 concentrou-se na escavação de uma área a leste da antiga prothesis, uma sala utilizada para guardar objetos religiosos, com o objetivo de determinar se um piso previamente identificado se estendia além das paredes da atual basílica.
De acordo com Mustafa Şahin, as escavações revelaram que o revestimento do piso se prolonga para fora dos limites da construção atualmente submersa, indicando uma estrutura anterior à igreja conhecida. Além disso, foram encontrados restos de paredes e uma base de coluna, elementos que sugerem uma fase de construção anterior à atual basílica, possivelmente relacionada à Igreja de Neophytos, uma edificação que, segundo registros históricos, teria sido destruída por um terremoto ocorrido em 368 d.C.
Durante as escavações, a equipe também encontrou objetos de valor, incluindo um anel de ouro decorado com uma palmeira e uma espada, além de um dedal. Şahin afirmou, por meio de suas redes sociais, que objetos semelhantes são conhecidos do período Omíada e Abássida, e que esses achados podem estar relacionados ao cerco de Niceia pelos omíadas no século VIII. Esses objetos, contudo, não estabelecem uma conexão direta com a data do Primeiro Concílio de Niceia, mas reforçam a hipótese de uma ocupação antiga no local.
A principal hipótese defendida pelos pesquisadores é que a estrutura mais antiga sob a basílica possa estar relacionada ao Primeiro Concílio de Niceia, evento que reuniu centenas de bispos em 325 d.C. para discutir e estabelecer doutrinas fundamentais do cristianismo, incluindo a formulação do Credo Niceno, documento central na história do cristianismo. No entanto, essa interpretação ainda não é consensual, uma vez que faltam evidências conclusivas que confirmem a data exata da construção mais antiga ou que o evento tenha ocorrido especificamente neste local. Os registros históricos indicam que as reuniões do concílio ocorreram no palácio imperial de Niceia, cuja localização atual permanece desconhecida, dificultando a confirmação arqueológica.
Assim, os novos vestígios encontrados no Lago İznik reforçam a possibilidade de uma construção religiosa anterior à atual basílica, mas ainda não oferecem provas definitivas de que o Primeiro Concílio de Niceia tenha sido realizado no local. A continuidade das escavações e estudos arqueológicos será fundamental para esclarecer a relação entre os vestígios encontrados e os eventos históricos associados ao cristianismo primitivo na região.








