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Novos fósseis de denisovanos revelam altura superior às estimativas anteriores e indicam dieta predominantemente carnívora

19/08/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Pesquisas recentes publicadas no site bioRxiv, em 8 de agosto, revelaram importantes avanços na compreensão da anatomia e do comportamento dos denisovanos, um grupo de hominídeos extintos cuja presença na história humana ainda apresenta muitas lacunas. Os estudos, ainda sujeitos à revisão por pares, analisaram fósseis de um fêmur e de uma parte da tíbia encontrados no fundo do Estreito de Penghu, localizado entre Taiwan e as Ilhas Penghu, na Ásia. Esses ossos, associados a proteínas específicas dos denisovanos, indicam que esses indivíduos poderiam atingir alturas entre 1,80 e 1,90 metro, valores significativamente superiores às estimativas anteriores para a espécie.

A descoberta é relevante por desafiar a percepção de que os denisovanos seriam mais baixos, como sugerido por fósseis anteriores. Até então, os homens neandertais tinham uma altura média de aproximadamente 1,68 metro, enquanto os Homo sapiens modernos atingem cerca de 1,75 metro. Assim, a nova evidência sugere que os denisovanos poderiam ter sido mais altos do que muitos de seus contemporâneos, o que amplia o entendimento sobre sua diversidade física e adaptações.

Além da questão da altura, as análises de isótopos de nitrogênio presentes na tíbia apontaram que esses hominídeos tinham uma dieta predominantemente carnívora, semelhante à de neandertais europeus. Curiosamente, apesar de terem sido encontrados em uma região cercada pelo mar, os fósseis indicam que os denisovanos de Penghu não consumiam muitos frutos do mar ou peixes, pois os isótopos analisados derivavam de herbívoros terrestres. Essa alimentação sugere uma dieta menos flexível do que a de grupos de Homo sapiens que migraram para a região há cerca de 45 mil anos, indicando possíveis diferenças comportamentais e ecológicas entre esses grupos.

Os fósseis foram recuperados de um conjunto de ossos de animais coletados no fundo do Estreito de Penghu por uma rede de pesca industrial a aproximadamente 100 metros de profundidade, cerca de 25 km ao sul de Taiwan, em material adquirido pelos pesquisadores em 2010. Como os ossos estavam misturados e sem associação a camadas sedimentares específicas, determinar sua idade exata inicialmente foi desafiador. No entanto, análises anteriores indicaram a presença de proteínas de denisovanos, incluindo uma mandíbula fossilizada descoberta na mesma região, que foi associada ao grupo no ano passado.

A datação dos fósseis também trouxe uma surpresa. Em 2023, uma equipe liderada pelo paleontólogo Chris Stringer estimou, por meio de isótopos de urânio, que os ossos tinham aproximadamente 160 mil anos de idade. A nova datação por radiocarbono, entretanto, aponta para cerca de 45 mil anos, colocando esses fósseis entre os mais recentes já encontrados na espécie. Caso essa estimativa seja confirmada, esses restos constituem alguns dos fósseis de denisovanos mais jovens já datados com segurança, oferecendo uma nova perspectiva sobre a coexistência e possível contato entre esses hominídeos e os primeiros Homo sapiens na Ásia.

Historicamente, os denisovanos se separaram dos neandertais há aproximadamente 550 mil anos e habitaram diversas regiões da Ásia, desde a Sibéria até o Tibete e a China, até cerca de 40 a 30 mil anos atrás. Apesar da escassez de fósseis, evidências genéticas atuais demonstram que populações humanas modernas carregam DNA herdado desses hominídeos, indicando que encontros e cruzamentos ocorreram no passado. A descoberta dos fósseis de Penghu, além de ampliar o conhecimento sobre a anatomia e a dieta desses humanos arcaicos, também reforça a hipótese de que eles tiveram uma presença significativa na história evolutiva da humanidade, especialmente na região do sudeste asiático. Pesquisadores esperam que novas análises possam revelar ainda mais detalhes sobre esses parentes humanos, contribuindo para o entendimento do processo de migração e interação entre diferentes grupos de hominídeos na antiguidade.

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