Escavações realizadas nas encostas das montanhas Taunus, na Alemanha, revelaram um antigo templo dedicado a Marte, o deus romano da guerra, que remonta aproximadamente a 1.8 mil anos atrás. A descoberta, feita no contexto de trabalhos arqueológicos no forte romano de Kapersburg, fornece novos insights sobre a presença e as práticas religiosas dos romanos na fronteira do império durante os séculos II e III.
As escavações, iniciadas em 2024 pelo Departamento de Arqueologia de Hesse em cooperação com a Universidade de Frankfurt, têm como objetivo explorar e compreender melhor o assentamento militar e suas adjacências. A divulgação oficial da descoberta do vicus, um povoado civil que acompanhava o forte, ocorreu ao final de setembro, marcando um avanço significativo no entendimento da vida cotidiana na região na época do Império Romano.
O forte de Kapersburg fazia parte de uma rede de fortificações construídas pelos romanos ao longo de suas fronteiras na Europa, África e Ásia, com o propósito de defender territórios contra tribos germânicas e outros povos considerados inimigos. Esses fortes frequentemente tinham assentamentos próximos, conhecidos como vicus, onde residiam comerciantes, famílias e civis, formando comunidades que sustentavam a logística militar e a vida social da região.
Durante as escavações, os arqueólogos localizaram uma inscrição dedicada a Marte, indicando a importância do culto ao deus na área. Além disso, foram encontrados restos de uma estátua do próprio Marte e objetos ligados à representação da deusa romana Vitória, símbolo de triunfo e sucesso militar. Essas descobertas evidenciam a forte ligação entre a religião e as atividades militares na região fronteiriça do império.
Os trabalhos também revelaram sinais de atividades artesanais no assentamento, como fossos de ferreiro e fornos utilizados para secar trigo e assar pão, indicando uma comunidade com atividades econômicas diversificadas. Essas evidências contribuem para uma compreensão mais detalhada do cotidiano dos habitantes do vicus, que além de civis, desempenhavam funções essenciais para a sustentação do forte e suas operações.
Embora já se conhecesse a existência do forte de Kapersburg, as particularidades do vicus ao seu redor permaneciam pouco esclarecidas até então. As novas descobertas ajudam a aprofundar o entendimento sobre as crenças religiosas dos romanos na fronteira do império, especialmente na relação entre práticas religiosas e atividades cotidianas. Os arqueólogos planejam novas escavações para 2027, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre essa comunidade antiga e sua cultura.








