Uma mulher que denunciou ter sido vítima de abuso sexual por um pastor em Belo Horizonte comemorou nesta quarta-feira (19) a condenação do líder religioso por outro caso de abuso. O pastor, que presidia a Igreja Pentecostal Gideões de Fogo da Última Hora, localizada no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste da capital mineira, foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por importunação sexual. Além disso, a sentença, proferida em 6 de julho, determinou uma indenização de R$ 10 mil à vítima. Após as denúncias e a repercussão do caso, o pastor renunciou ao cargo que exercia na igreja.
A mulher, atualmente com 36 anos, relatou que sofreu os abusos iniciais há aproximadamente duas décadas. Ela buscou ajuda dentro da própria igreja, mas foi difamada e acusada de tentar prejudicar a reputação do pastor, o que agravou o sofrimento psicológico. Em entrevista à Itatiaia, a denunciante afirmou que a condenação trouxe um sentimento de alívio e esperança de que outras vítimas possam ser reconhecidas e que a justiça seja feita. Ela revelou que há suspeitas de que existam entre sete e oito casos ainda aguardando julgamento, reforçando sua confiança na atuação do sistema judicial.
Segundo ela, os abusos começaram quando tinha cerca de 16 anos e se prolongaram por muitos anos, durante os quais enfrentou não apenas agressões físicas, mas também ameaças e manipulações psicológicas. A denunciante explicou que, dentro da perspectiva bíblica ensinada na igreja, qualquer denúncia contra o pastor era vista como uma afronta a Deus, o que dificultou ainda mais a busca por justiça. Ela afirmou que foi ameaçada de maldições e de punições que poderiam alcançar suas futuras gerações, além de seus filhos, caso ousasse denunciar os abusos. Essas ameaças criaram um ambiente de medo e silêncio que perdurou por anos.
De acordo com a vítima, o líder religioso costumava chamar as mulheres para conversas com o pretexto de orientações espirituais, mas esses momentos eram utilizados para cometer os abusos. Ela reforçou sua esperança de que o pastor não volte a cometer novos crimes, destacando a importância de que a justiça seja feita. A mulher também ressaltou que, segundo ela, Deus é justo e que o uso do nome divino para justificar atos ilícitos é uma afronta à fé. Ela concluiu afirmando que acredita que Deus está agindo para que a verdade venha à tona e que o responsável seja responsabilizado de acordo com a lei.
A reportagem entrou em contato com a defesa do pastor, mas até o momento aguarda retorno. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações. A condenação representa um avanço na luta contra abusos religiosos e reforça a importância de denúncias para combater esse tipo de crime, especialmente em ambientes onde a autoridade espiritual é usada para justificar comportamentos ilícitos.









