O senador Carlos Viana (PSD) anunciou na manhã desta quinta-feira, 20 de outubro, a apresentação de um pedido para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de apurar as supostas ligações do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com lobistas que, segundo denúncias, teriam atuado para obter contratos junto ao governo federal. A iniciativa busca esclarecer possíveis práticas de tráfico de influência e crimes de responsabilidade relacionados a corrupção envolvendo recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com Viana, o pedido foi protocolado na Câmara dos Deputados, e ele espera que o Congresso Nacional participe ativamente da investigação. Segundo o senador, o foco do procedimento é desvendar detalhes sobre as operações ilegais que, conforme as denúncias, envolveriam milhões de reais em contratos fraudulentos. Ele citou especificamente que o caso envolve o filho do presidente, a advogada Roberta Luchsinger e um dos assessores mais próximos do chefe do Executivo, que teria trabalhado na antessala do Palácio do Planalto.
Viana criticou duramente a postura da Procuradoria-Geral da República (PGR), que nesta mesma quinta-feira solicitou o encaminhamento do inquérito à Justiça de primeira instância, alegando que, até o momento, não há autoridades com prerrogativa de função envolvidas no caso. Para o senador, essa movimentação representa uma tentativa de blindar as investigações, dificultando o avanço das apurações e impedindo que a população tenha acesso às informações completas. Ele afirmou que há uma tentativa clara de obstrução, que inclui a suspeita de troca de equipes na Polícia Federal e o esforço para afastar o ministro André Mendonça do caso.
Viana também destacou que a iniciativa de criar uma CPMI ou uma comissão parlamentar de inquérito no Senado é uma obrigação do Legislativo, sobretudo diante da gravidade das denúncias. Questionado sobre a possibilidade de instalação de uma CPMI durante o período eleitoral, quando muitos parlamentares estão em suas bases eleitorais, o senador reforçou a necessidade de avançar com as investigações independentemente do calendário eleitoral. Ele afirmou que não se pode permitir que denúncias de tamanha gravidade fiquem sem resposta ou sejam protegidas por interesses políticos.
Ao defender a urgência da apuração, Viana lembrou que, ao tentar acessar o sigilo de Lulinha, quase foi agredido por integrantes da base do governo durante uma sessão no Congresso. Ele também citou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, até hoje, não teve seu mérito julgado, a qual teria impedido o avanço de investigações relacionadas ao caso. Para o parlamentar, a continuidade das investigações é fundamental para esclarecer as denúncias e garantir a transparência no uso de recursos públicos, especialmente em contratos milionários que, segundo ele, estariam sendo utilizados de forma fraudulenta.









