A hipótese de o Cruzeiro adquirir o estádio Mineirão voltou a ser discutida nesta semana, após o governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), confirmar que o clube celeste manifestou interesse na compra durante conversas com o governo estadual. A declaração foi feita neste sábado (22/8), em Belo Horizonte, em um evento de campanha para a reeleição, e reforça a possibilidade de negociações futuras, embora o governo tenha destacado que a venda do estádio não está entre suas prioridades atuais.
Durante a ocasião, Simões afirmou que o Estado está aberto a discutir a venda do Mineirão com Pedro Lourenço, proprietário da Sociedade Anônima Futebol (SAF) do Cruzeiro, caso haja interesse do clube. Ele ressaltou, no entanto, que a venda do estádio, considerado um bem público, não é uma questão urgente, mas que, em algum momento, o governo estaria disposto a analisar a questão, se for conveniente para o clube.
O governador também comentou sobre a situação dos demais grandes clubes de Belo Horizonte. Segundo ele, o Atlético Mineiro possui sua própria arena, a Arena MRV, enquanto o América Mineiro tem o estádio Independência. Assim, o fato de o Cruzeiro desejar adquirir o Mineirão não representaria um problema para o governo, que reforçou não estar focado nesta negociação neste momento, embora tenha aberto espaço para futuras conversas.
A discussão ocorre em meio a um impasse causado por um decreto estadual que impede a publicidade de casas de apostas em bens públicos, incluindo o Mineirão, que possui espaços concedidos à iniciativa privada. A medida impactou contratos de clubes e competições nacionais, como o Brasileirão e a Copa do Brasil, levando a uma notificação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao Cruzeiro. Simões garantiu que o clube não será prejudicado durante o período de transição, afirmando que a restrição recai sobre o estádio, e não sobre o clube em si.
A possibilidade de compra do Mineirão pelo Cruzeiro, contudo, não é uma novidade. Desde 2022, o tema vem sendo discutido, especialmente após Pedro Lourenço, que assumiu o controle da SAF do clube, declarar publicamente a intenção de que o estádio seja de propriedade do Cruzeiro. Ainda assim, até o momento, não há uma proposta formal de aquisição por parte da SAF, que negocia com a Minas Arena, concessionária responsável pelo estádio.
Em 2023, Pedrinho revelou que a Minas Arena teria pedido cerca de R$ 300 milhões para repassar à SAF os direitos de exploração do Mineirão, valor que não equivale ao preço de compra do estádio, uma vez que ele pertence ao Governo de Minas. A negociação, na prática, envolveria a transferência dos direitos de exploração, sem transferência de propriedade, uma vez que o estádio é patrimônio público. O contrato de concessão, assinado em 2010, tem validade de 27 anos, até 2037, o que torna a aquisição mais complexa devido às cláusulas de permanência do contrato.
O governo estadual também avalia a possibilidade de uma venda por meio de um processo de leilão, autorizado por um projeto de lei atualmente em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O Projeto de Lei 5.968/2026, apresentado em agosto, prevê a autorização para que o Executivo venda o Complexo do Mineirão, incluindo o estádio, suas estruturas internas e a Esplanada. Para que a venda seja efetivada, o projeto precisa ser aprovado pelos deputados e o complexo avaliado previamente, com um preço mínimo de mercado definido por leilão público.
Caso essa venda seja concretizada, o Cruzeiro poderia participar do processo de leilão, concorrendo com outros interessados, embora a participação do clube não tenha preferência especial, uma vez que o estádio é patrimônio público. Além disso, a possibilidade de uma venda antecipada também envolve a questão da Minas Arena, concessionária responsável pelo estádio, que teria direito a uma indenização caso o Estado decida retomar a concessão antes do término do contrato, previsto para 2037.
Apesar das discussões e possibilidades, o governo de Minas Gerais reforçou que, por ora, a venda do Mineirão não está entre suas prioridades. Simões deixou claro que a intenção é manter o estádio sob administração pública, mas abriu espaço para futuras negociações caso o Cruzeiro demonstre interesse de forma formal. Enquanto isso, o clube e a Minas Arena renovaram, no início de 2026, o contrato de uso do estádio até o final de 2030, com valores e condições que não foram divulgados. A relação entre Cruzeiro e Mineirão, iniciada na reabertura do estádio em 2013, permanece forte, e o clube já descartou a construção de um estádio próprio, considerando o Mineirão como sua casa natural.







