Um mergulho voluntário realizado no Lago Pewaukee, localizado no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, resultou na descoberta de uma embarcação indígena de aproximadamente mil anos de idade, considerada uma das mais bem preservadas já encontradas na região. A ação, inicialmente destinada à limpeza do fundo do lago, terminou revelando uma canoa ancestral que permanece intacta sob as águas, levantando importantes questões sobre a história e a preservação do patrimônio arqueológico local.
No dia 6 de maio, o mergulhador Mark Schachtner, de 45 anos, participava de uma atividade de remoção de lixo no Lago Pewaukee quando, ao se aproximar do final de sua imersão, percebeu um objeto alongado no fundo do corpo d’água. Ao investigar, identificou uma antiga canoa indígena, que chamou sua atenção pela conservação e pelo estado de preservação. Imediatamente, registrou a localização do achado e entrou em contato com Tamara Thomsen, arqueóloga marítima da Sociedade Histórica de Wisconsin, especializada em estudos de embarcações antigas.
Após a descoberta, os pesquisadores retornaram ao local cinco dias depois, com o objetivo de realizar medições, registrar a embarcação por meio de fotos e vídeos, além de coletar uma pequena amostra da madeira para análise. Os estudos indicaram que a canoa, considerada bem conservada pelos arqueólogos, mede aproximadamente 5,3 metros de comprimento e 55 centímetros de largura na parte mais larga. Sua espessura varia, chegando a cerca de 6,4 centímetros nas paredes e aproximadamente 12,2 centímetros no fundo, o que demonstra a robustez da construção.
A datação por radiocarbono e testes laboratoriais realizados na madeira, uma vez concluídos em agosto, confirmaram que a embarcação foi construída de carvalho-branco há cerca de mil anos. As análises indicam uma probabilidade de 70% de que a construção tenha ocorrido entre os anos de 992 e 1049, período que coincide com a presença de comunidades indígenas na região. Acredita-se que a canoa foi fabricada manualmente, possivelmente com o uso de conchas ou ferramentas de pedra, além de fogo, para moldar a embarcação. Na época, esse tipo de canoa era um meio de transporte fundamental, compartilhado pela comunidade indígena, ao contrário de pertencer a um único indivíduo.
Atualmente, a embarcação encontra-se a cerca de 4,5 metros de profundidade, mas, na época de sua construção, o local onde foi encontrada provavelmente fazia parte da antiga margem do lago, acima do nível da água. Uma hipótese é de que a canoa tenha sido deixada ali de forma intencional, possivelmente para ser reutilizada posteriormente. Apesar de séculos de variações de temperatura, ações humanas e o impacto de âncoras de embarcações modernas, a canoa permanece inteiramente preservada, com sedimentos ajudando a protegê-la de danos.
A descoberta marca o primeiro achado de uma canoa desse tipo no Lago Pewaukee, que possui aproximadamente 983 hectares de extensão, situando-se nas proximidades de Milwaukee. Outras embarcações escavadas de origem indígena já foram encontradas em Wisconsin, incluindo 16 no Lago Mendota, próximo à capital do estado, Madison.
Por ora, não há planos de retirar a embarcação da água. Em consonância com a vontade das comunidades indígenas de Wisconsin, a canoa permanecerá no fundo do lago, uma medida que visa garantir sua conservação e proteção. A localização exata do achado também não foi divulgada, a fim de evitar riscos de vandalismo ou descaracterização.
Embora mergulhadores possam visitar o local, a legislação estadual proíbe remover, danificar, deslocar ou destruir a embarcação. Especialistas sugerem que outras canoas antigas podem estar preservadas em outros lagos da região, dada a importância histórica dessas embarcações como meios de transporte e conexão social entre as comunidades indígenas que habitaram a área há séculos.








