Faleceu nesta domingo, aos 88 anos, o ex-ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias, uma das figuras mais relevantes na história do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e na política brasileira. A confirmação da morte foi feita pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi, embora a causa do falecimento não tenha sido divulgada oficialmente. Manoel Dias, conhecido como “Maneca”, estava internado na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, após agravamento de seu estado de saúde, decorrente de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que sofreu em 2025.
O político deixa esposa, dois filhos, noras e netos. Ainda não há informações disponíveis sobre o velório e o sepultamento, que devem ser divulgadas posteriormente. A morte de Manoel Dias marca o fim de uma trajetória marcada por resistência, dedicação ao trabalhismo e participação ativa na política brasileira ao longo de várias décadas.
Natural de Içara, no sul de Santa Catarina, Manoel Dias iniciou sua carreira política em 1962, quando foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Quatro anos depois, em 1966, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que se opunha ao regime militar instaurado em 1964. Sua trajetória foi profundamente marcada pela resistência à ditadura militar, tendo seu mandato de vereador cassado logo após o golpe de Estado, além de ter permanecido preso por 11 meses. Em 1969, com o endurecimento do regime, após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Manoel Dias teve seus direitos políticos cassados por uma década, o que refletiu seu posicionamento firme contra o autoritarismo.
Com a abertura política e a promulgação da Lei de Anistia, ele participou ativamente da reorganização do movimento trabalhista brasileiro. Em 1980, foi um dos fundadores do PDT, ao lado de lideranças como Leonel Brizola, contribuindo para a consolidação do partido no cenário político nacional. Sua atuação em Santa Catarina foi fundamental para a estruturação do partido na região, além de desempenhar diferentes funções partidárias ao longo das décadas.
Na década de 1990, Manoel Dias integrou o governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, atuando como diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), demonstrando sua versatilidade e comprometimento com as causas trabalhistas e de desenvolvimento regional. Sua trajetória no PDT consolidou-se como uma das mais representativas do trabalhismo brasileiro, fazendo dele uma referência histórica do movimento.
Em março de 2013, Manoel Dias foi nomeado ministro do Trabalho e Emprego pelo governo da então presidente Dilma Rousseff, cargo que ocupou até outubro de 2015. Durante sua gestão, enfrentou questionamentos relacionados a suspeitas de irregularidades na pasta, especialmente após a deflagração da Operação Esopo pela Polícia Federal, que investigou um suposto esquema de contratos e repasses envolvendo o ministério. Dias negou qualquer envolvimento nas irregularidades.
A morte de Manoel Dias representa uma perda significativa para o PDT, que vê na sua figura uma das suas principais referências históricas e um dos fundadores que participaram ativamente do processo de redemocratização do Brasil. Sua trajetória reflete não apenas o compromisso com o trabalhismo, mas também a resistência contra as adversidades enfrentadas ao longo de sua vida pública, marcando sua importância na história política do país.








