Uma pesquisa conduzida pela Escola de Medicina de Harvard revelou que profissionais de transporte, especialmente taxistas e motoristas de ambulância, possuem uma probabilidade menor de desenvolver a doença de Alzheimer. O estudo, publicado em 2024 na revista médica BMJ, analisou dados de quase 9 milhões de pessoas que faleceram nos Estados Unidos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2023, cujas profissões estavam registradas nas certidões de óbito. Os resultados indicam que motoristas de ambulância apresentaram uma proporção de morte relacionada ao Alzheimer de aproximadamente 0,91%, enquanto taxistas tiveram uma incidência de 1,03%. Essas taxas foram inferiores às observadas em outras categorias profissionais, sugerindo uma possível relação entre as tarefas desempenhadas por esses trabalhadores e um menor risco de desenvolver a doença neurodegenerativa.
A pesquisa destacou que essa tendência não foi observada em outras profissões do setor de transporte que seguem rotas predefinidas, como motoristas de ônibus. A hipótese levantada pelos autores do estudo é que a necessidade de decorar mapas complexos, navegar mentalmente em três dimensões e tomar decisões rápidas para evitar o trânsito pode exercer um efeito protetor contra o Alzheimer. Segundo eles, a capacidade de realizar tarefas que envolvem navegação espacial e memorização de mapas, frequentemente exigida de taxistas e ambulantes, poderia estar relacionada a uma redução no risco de alterações neurológicas associadas à doença.
Contudo, os autores ressaltam que o estudo não estabelece uma relação causal definitiva entre a profissão e o risco de Alzheimer. A análise observacional permite apenas identificar associações, não determinar se a atividade profissional em si provoca a redução do risco. Eles destacam a necessidade de investigações adicionais para compreender se habilidades como navegação espacial e memória de mapas podem realmente oferecer proteção contra o avanço do Alzheimer. Ainda assim, o estudo reforça a importância de explorar fatores cognitivos e comportamentais que possam contribuir para a prevenção ou retardamento de doenças neurodegenerativas, abrindo caminho para futuras pesquisas na área.









