Uma nova perspectiva sobre o bordado, tradicionalmente associado ao trabalho doméstico, será apresentada na exposição intitulada “Avesso do avesso”, que será inaugurada nesta quinta-feira (27) no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte. A mostra individual do artista visual, educador e ilustrador Julian Campos reúne um total de 78 obras criadas a partir de toalhas e guardanapos bordados, objetos adquiridos por ele em brechós e bazares de caridade na cidade de São Vicente, no litoral paulista, onde o artista reside e atua.
A abertura oficial está marcada para as 19h, na Sala Ana Horta, e a exposição permanecerá aberta ao público de forma gratuita até o dia 27 de setembro. A mostra é de classificação livre, permitindo o acesso a visitantes de todas as idades. Além da exibição das obras, a programação inclui uma performance relacional intitulada “Pano de Penélope”, que acontecerá nos arredores do Centro Cultural UFMG entre esta terça-feira (25) e quinta-feira (27), das 10h às 13h. Essa ação convida os passantes a participarem da criação de uma grande peça de tecido por meio do bordado, promovendo uma experiência coletiva que não exige conhecimentos prévios na técnica.
Durante a atividade, os participantes podem aprender a bordar e permanecer no local pelo tempo que desejarem, com cada sessão durando entre 10 e 20 minutos. O objetivo é transformar o ato manual em uma reflexão coletiva sobre temas como gênero, trabalho e o papel das artes manuais na produção artística contemporânea. A iniciativa busca também questionar a valorização social e econômica do trabalho artesanal, muitas vezes relegado a um status secundário na cultura de consumo.
A série “Avesso do avesso” teve início em 2018 e apresenta uma abordagem que combina o artesanato com a arte contemporânea. As peças utilizadas pelo artista foram adquiridas por aproximadamente R$ 1 cada, em brechós e bazares beneficentes, e passaram a ser o suporte para suas obras. Julian Campos reproduz em bordados os gestos envolvidos na técnica, como passar a linha pela agulha, fazer os pontos e arrematar o trabalho, partindo de uma aproximação com os movimentos realizados pelas pessoas que produziram os objetos originalmente.
A metodologia do artista envolve uma investigação sobre a apropriação de objetos feitos por pessoas anônimas, muitas vezes relacionadas ao trabalho doméstico feminino. Ao utilizar tecidos e imagens de materiais de costura encontrados em manuais e na internet, Campos amplia o debate sobre a transformação de objetos considerados decorativos ou artesanais em suportes de arte contemporânea. Essa escolha também levanta questões sobre a valorização desigual do trabalho manual, que muitas vezes é transmitido entre gerações e vendido por valores baixos em brechós, enquanto sua presença no espaço expositivo promove uma reflexão sobre quem produziu esses objetos, por que permanecem anônimos e qual é o impacto de sua valorização como arte.
A exposição “Avesso do avesso” propõe, assim, uma reflexão crítica sobre as relações entre artesanato e arte, o papel social do trabalho manual e a transformação de objetos cotidianos em manifestações artísticas de valor contemporâneo. A mostra fica aberta ao público até 27 de setembro, na Sala Ana Horta do Centro Cultural UFMG, localizado na Avenida Santos Dumont, nº 174, no centro de Belo Horizonte. O acesso é gratuito e a visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 9h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.








