O documentário “Não Existe Almoço Grátis”, dirigido por Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, tem previsão de estreia nos cinemas para o dia 3 de setembro. A produção, vencedora do prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no Festival de Brasília, acompanha o contexto político e social durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 2023, no Distrito Federal. A narrativa centra-se na vida de três lideranças femininas do bairro Sol Nascente, uma das maiores e mais vulneráveis comunidades de Brasília, evidenciando a luta contra a fome e a organização comunitária no Brasil contemporâneo.
O filme destaca a atuação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que, diante da insuficiência de políticas públicas eficazes para o combate à fome, promove a criação de dezenas de Cozinhas Solidárias em diferentes regiões do país. Essas cozinhas oferecem refeições gratuitas, sendo um símbolo de resistência e solidariedade diante das dificuldades enfrentadas por populações vulneráveis. No centro da narrativa estão Bizza, Jurailde e Socorro, três mulheres negras que coordenam uma dessas cozinhas no Sol Nascente, localidade que representa uma das maiores favelas do Brasil. Durante a cerimônia de posse de Lula, elas assumem a responsabilidade de preparar a alimentação para centenas de militantes do movimento que se deslocam a Brasília para acompanhar o evento.
As protagonistas têm trajetórias distintas, apresentadas de forma não linear ao longo do filme, o que contribui para uma compreensão mais aprofundada de suas histórias de vida. Bizza, por exemplo, sonha em construir sua própria casa e abrir um negócio no lote que conquistou por meio da luta no MTST, buscando autonomia e melhorias para sua condição de moradia. Jurailde, evangélica, relaciona sua conexão com a terra à ancestralidade indígena, além de rememorar experiências de trabalho infantil que marcaram sua infância. Socorro, por sua vez, encontra orgulho em sua trajetória ao formar uma família, após ter sido abandonada pelo pai ainda criança, o que evidencia a força de sua resistência pessoal.
O documentário também aborda o contexto político do país, marcado por ameaças de golpe e pelo crescimento da violência política, enquanto acompanha a preparação logística e culinária para a posse presidencial, um dos momentos mais simbólicos da redemocratização brasileira. Além da narrativa política, o filme apresenta entrevistas com as três mulheres, revelando suas histórias de dificuldades, resistência e esperança, evidenciando o papel da organização comunitária na superação de desigualdades.
“Não Existe Almoço Grátis” propõe uma reflexão sobre a importância da coletividade e dos laços de afeto na luta contra as estruturas de desigualdade social. Os relatos das protagonistas evidenciam como a união e o fortalecimento comunitário podem abrir possibilidades de futuro, mesmo em meio às adversidades. Os diretores Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel destacam que o filme é um manifesto contra as ideias neoliberais de meritocracia, individualismo e busca por lucro, utilizando uma linguagem visual e sonora que evidencia o contraste entre as desigualdades sociais no Distrito Federal. Segundo eles, Brasília é retratada como uma personagem simbólica, representando as injustiças sociais que o filme busca questionar e superar.








