A organização do Miss Universe Brasil divulgou uma declaração nesta quinta-feira, 27 de outubro, em resposta à decisão de um concurso concorrente de retirar o título de uma candidata por estar grávida. A manifestação reforça a mudança de postura frente às questões de representatividade feminina, destacando que “o mundo mudou” e que “ser mulher nunca coube em uma única definição”. A reação ocorre após o Miss Brasil Supranational decidir destituir Lara Marina do título de Miss Brasil Supranational 2026, após ela anunciar sua gravidez enquanto participava do concurso internacional, no qual conquistou o terceiro lugar.
O episódio evidencia uma mudança de paradigma na forma como concursos de beleza abordam a diversidade e a inclusão. O Miss Brasil Supranational, que anunciou a retirada do título de Lara Marina, afirmou que a decisão foi tomada devido ao “descumprimento de obrigações contratuais incompatíveis com a manutenção do título”. A organização não detalhou os motivos específicos, limitando-se a afirmar que “não fará comentários adicionais no momento”, e anunciou que a vice-campeã, Camilly Ceccon, Miss Costa Verde e Mar, assumirá a coroa. A mudança será oficializada nos próximos dias.
Este episódio também reacende o debate sobre as regras de participação em concursos de beleza no Brasil. Desde a alteração nas normas que permitem a participação de mulheres casadas, divorciadas, mães e de diferentes faixas etárias, nove candidatas com filhos já disputaram o título nacional. A organização destacou, ainda, que a vencedora do Miss Universo 2024, Luana Cavalcante, também é mãe, casada e participa ativamente do certame, reforçando o compromisso com a inclusão.
Na mesma linha, o Miss Brasil Supranational, que desde o início deste ano permite que mães e mulheres divorciadas concorram ao título, estabelece restrições apenas quanto ao estado civil (não podendo ser casadas) e à idade, limitada a 32 anos. Essa postura contrasta com a do concurso rival, que manteve o título de Lara Marina mesmo após sua gravidez, e que, por sua vez, enviou uma mensagem de apoio à candidata, destacando que “novas histórias ganharam espaço” e que “a forma de representar também ganhou novos significados”.
Internautas observaram a publicação do Miss Brasil Supranational como uma indireta ao concurso rival, interpretando a mensagem como uma crítica à postura considerada arcaica da organização que destituiu Lara Marina. Comentários nas redes sociais apontaram que a publicação foi uma “alfinetada bem dada” em uma organização que ainda não adotou uma postura tão inclusiva quanto a brasileira.
Lara Marina, que perdeu o título de Miss Brasil Supranational 2026, foi oficialmente destituída pela Comissão Nacional de Beleza (CNB), responsável pela franquia no país. Em comunicado oficial, o CNB informou que a vice-campeã Camilly Ceccon, de Costa Verde e Mar, assumirá o título, sem revelar detalhes sobre os motivos que levaram à decisão. A organização justificou a troca pela “necessidade de cumprir obrigações contratuais” e afirmou que a decisão visa preservar a integridade do concurso.
A mudança será oficializada nos próximos dias, e o CNB reafirmou seu compromisso com a imparcialidade na aplicação de suas regras e com a integridade de seus concursos. O episódio evidencia uma evolução na abordagem dos concursos de beleza brasileiros, que passam a refletir uma sociedade mais inclusiva e plural, embora ainda enfrentem desafios relacionados às normas e às interpretações sobre o que constitui a beleza e a representatividade.









