O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento de aproximadamente quatro horas nesta sexta-feira, 28 de outubro, na sede da Polícia Federal (PF) em Brasília, e sinalizou novamente a intenção de firmar um acordo de colaboração premiada. Esta é a terceira tentativa do empresário de colaborar com as investigações, que apuram a atuação de dois ex-funcionários do Banco Central (BC) suspeitos de favorecer a operação do esquema conhecido como Master, mediante supostos benefícios financeiros.
Após o depoimento, seus advogados, Sérgio Leonardo e Daniel Bialski, enviaram nota à imprensa ressaltando que Vorcaro está disposto a fornecer esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, condicionados à garantia de que a colaboração seja efetivamente permitida pelas autoridades. Bialski, que recentemente integrou a equipe de defesa liderada por Leonardo, possui experiência em negociações de colaboração premiada e busca restabelecer uma relação de confiança com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa aproximação visa superar conflitos que teriam ocorrido durante a gestão anterior da defesa, conduzida pelo advogado José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca, que teria tido atritos com o ministro.
Um dos princípios adotados pela nova equipe é a transparência total na relação com as instituições responsáveis pelas investigações. Caso as negociações de colaboração sejam retomadas, elas deverão ocorrer simultaneamente com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, as propostas anteriores apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela PF, que considerou os anexos entregues insuficientes, sem provas concretas que pudessem contribuir significativamente para as investigações. A avaliação da PGR também foi de que as informações fornecidas até o momento não acrescentaram elementos novos às apurações.
O depoimento de Vorcaro foi realizado por videoconferência, a partir da unidade prisional conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, onde ele está detido. Ele é investigado no âmbito de um inquérito que apura a atuação de dois ex-funcionários do BC, suspeitos de favorecimento ao esquema Master em troca de vantagens financeiras. As investigações buscam determinar se Vorcaro utilizou-se de servidores públicos, que teriam atuado como uma espécie de “espiões” na instituição, para obter informações privilegiadas que beneficiaram suas operações financeiras.
A defesa do ex-banqueiro afirmou que Vorcaro respondeu a todas as perguntas de forma clara e consistente, sem deixar dúvidas ou questionamentos sem esclarecimento. Segundo o comunicado, ficou demonstrado que não houve ato de corrupção envolvendo os servidores públicos mencionados na investigação. Este foi o primeiro depoimento formal de Vorcaro aos investigadores desde sua segunda prisão, ocorrida em março deste ano.
De acordo com fontes próximas à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, há três principais obstáculos que têm dificultado as negociações de colaboração até o momento. O primeiro é a exigência de que Vorcaro assuma a responsabilidade pelos crimes, o que, segundo essas fontes, a cúpula da PGR considera não ter ocorrido até agora, o que gerou irritação entre os procuradores. O segundo entrave refere-se ao montante de recursos desviados na fraude do esquema Master, estimado entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões, e a questão do valor a ser devolvido e o paradeiro desses recursos. O terceiro fator é a falta de novidades factuais nas informações apresentadas por Vorcaro, uma vez que grande parte dos dados já consta em mais de dez celulares apreendidos durante as diligências. A PF exige que as próximas etapas tragam fatos inéditos que possam avançar nas investigações.









