Durante uma sabatina no Jornal Nacional, o candidato à Presidência da República Augusto Cury, representante do partido Avante, afirmou que pretende enfrentar o desequilíbrio do sistema previdenciário brasileiro sem a necessidade de uma nova reforma que penalize os trabalhadores próximos da aposentadoria. Na ocasião, Cury destacou que o país enfrenta um grave problema previdenciário, agravado pelo envelhecimento populacional e pela perda do chamado bônus demográfico, período em que a proporção de pessoas em idade de trabalhar é maior que a de crianças e idosos.
O candidato explicou que a diminuição do bônus demográfico, que ocorreu ao longo dos últimos anos, representa uma ameaça à sustentabilidade do sistema previdenciário. Para ele, uma das principais estratégias para solucionar essa questão seria o aumento da produtividade das empresas brasileiras, por meio da implementação de tecnologias como inteligência artificial e robótica. Segundo Cury, essa medida é fundamental, pois, sem crescimento na produtividade, o país poderá ser forçado a realizar novas mudanças nas regras previdenciárias, o que, na prática, resultaria na penalização dos trabalhadores que estão próximos da aposentadoria.
Cury defendeu uma abordagem diferente, baseada na inovação tecnológica e na ampliação do número de contribuintes ao sistema previdenciário. Entre as ações propostas, destaca-se o incentivo ao financiamento de aproximadamente 10 milhões de microempresas, com o objetivo de ampliar a base de contribuintes e, assim, aumentar a arrecadação previdenciária. O candidato também sugeriu mudanças na relação entre o programa Bolsa Família e o mercado de trabalho, defendendo a possibilidade de beneficiários manterem uma segunda fonte de renda sem perder imediatamente o auxílio. Essa medida, na visão de Cury, poderia estimular milhões de beneficiários a ingressar no mercado formal de trabalho, contribuindo para a ampliação da arrecadação previdenciária.
O candidato estimou que essa iniciativa poderia incorporar entre 10 milhões e 15 milhões de pessoas atualmente fora do mercado de trabalho formal, embora não tenha detalhado o mecanismo de transição durante sua fala. A discussão sobre a sustentabilidade da Previdência foi reforçada após Cury ser questionado sobre declarações anteriores referentes ao envelhecimento acelerado da população brasileira e à redução do número de trabalhadores que sustentam o sistema previdenciário.
Ele ressaltou que o país precisará adaptar sua economia ao novo perfil demográfico, a fim de evitar que o aumento das despesas previdenciárias leve a novas restrições aos trabalhadores. Para isso, Cury propõe o uso de tecnologias como inteligência artificial e robótica como ferramentas essenciais para elevar a produtividade e garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário, mesmo diante de uma população economicamente ativa proporcionalmente menor.









