Os taxistas de Belo Horizonte receberam autorização para embarcar passageiros no Aeroporto Internacional de Confins, na Região Metropolitana, em uma medida que entra em vigor de forma experimental. A permissão, concedida por uma portaria da Prefeitura de Confins, atende a uma antiga reivindicação da categoria e ocorre enquanto os municípios envolvidos negociam um acordo para regulamentar a circulação dos veículos entre as duas cidades.
De acordo com a nova regulamentação, os táxis licenciados em Belo Horizonte poderão realizar embarques exclusivamente no Terminal 3 do aeroporto. Os motoristas não poderão captar ou embarcar passageiros nos Terminais 1 e 2, permanecendo proibidos de atuar nesses locais. No entanto, o desembarque de passageiros continua autorizado em todos os terminais do aeroporto. Além disso, a autorização também contempla os taxistas de Lagoa Santa, município vizinho na Grande BH, e permite que os veículos utilizem as faixas e pistas exclusivas destinadas ao transporte coletivo na área do aeroporto.
Essa mudança representa uma reversão de uma regra que vigorou por cerca de duas décadas, período durante o qual os taxistas de Belo Horizonte podiam levar passageiros até o aeroporto, mas não retornar à capital com clientes embarcados no terminal. A possibilidade de retomada dessa prática era uma antiga demanda da categoria, que buscava ampliar suas operações na região.
A liberação, contudo, ocorre em um momento de discussão mais ampla sobre a circulação de táxis entre Belo Horizonte e os municípios da região metropolitana. Atualmente, um acordo em negociação entre a Prefeitura de Belo Horizonte, a Superintendência de Mobilidade (Sumob) e a BHTrans visa permitir que os táxis do município utilizem as pistas exclusivas do Move na capital. Ainda não há um documento oficial assinado que formalize essa parceria com Confins.
A questão ganhou destaque após a publicação, em junho, de uma regulamentação conjunta que restringiu o acesso aos corredores exclusivos de transporte às categorias de táxis de municípios que possuem acordos de integração com Belo Horizonte. A lista atual inclui Contagem, Ibirité, Ribeirão das Neves, Sabará e Esmeraldas, o que tem gerado críticas por parte dos profissionais da categoria.
Durante audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte na semana passada, taxistas relataram dificuldades para atuar no aeroporto, além de episódios de fiscalização que, segundo eles, dificultaram o atendimento de passageiros. O taxista Cristian Antonini, representante do Grupo Vega — coletivo que reúne profissionais da região metropolitana — afirmou que as fiscalizações têm sido intensas, ocorrendo durante manhãs, tardes, noites, fins de semana e feriados. Ele relatou, ainda, que teve seu veículo apreendido poucos dias após o emplacamento, o que dificultou sua atuação.
“Eu tive meu carro preso com quatro dias de emplacado. Sou taxista há dois anos; entrei na profissão para atuar de forma regular. Nunca tive tanta dificuldade com fiscalização. Fui tratado como bandido, meu passageiro humilhado no aeroporto. Perdi cliente por causa disso”, relatou Antonini.
Para Jair Leandro de Faria, representante da Aliança Táxi, a dinâmica da região metropolitana torna difícil separar o aeroporto da rotina de Belo Horizonte. Ele defende uma integração mais ampla entre os municípios, inclusive por meio das plataformas digitais atualmente utilizadas para solicitar corridas, argumentando que as regras atuais não refletem a mobilidade real dos passageiros na Grande BH.
Faria destacou que “Belo Horizonte é uma cidade conectada com as outras cidades em todos os aspectos. Não faz sentido estar preso nessa brecha de situação do passado”, reforçando a necessidade de uma regulamentação mais integrada e moderna para o transporte na região.









