Um novo pagamento de US$ 1,6 milhão, aproximadamente R$ 8,5 milhões na cotação da época, efetuado por Daniel Vorcaro ao fundo responsável pelo financiamento do filme Dark Horse, levanta questionamentos sobre a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que o caso estaria totalmente esclarecido. A transação, realizada em 16 de setembro de 2025, foi confirmada por reportagem publicada nesta terça-feira (1º) pela revista Piauí e indica que o montante transferido por Vorcaro ao Havengate Development Fund, responsável por administrar os recursos do filme, elevou o total de repasses feitos pelo empresário a US$ 12,3 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 63,7 milhões na cotação atual.
A revelação de uma nova movimentação financeira não havia sido mencionada nas declarações públicas de Flávio Bolsonaro. Em entrevista concedida à Rede Globo na última sexta-feira (28), o senador afirmou que o caso estava “mais que esclarecido” e citou uma prestação de contas apresentada pela produtora do filme, a Go Up. Segundo Flávio, o documento, um laudo pericial elaborado a pedido da produtora, teria detalhado toda a origem e destino dos recursos, o que, na sua avaliação, encerraria a questão.
Entretanto, a reportagem da Piauí aponta que o referido laudo pericial não fornece detalhes completos sobre os caminhos percorridos pelos recursos, especialmente em relação aos pagamentos realizados ao fundo de financiamento do filme. Essa discrepância entre as informações públicas e os dados obtidos pela revista reforça a dúvida sobre a transparência dos repasses e a origem dos recursos utilizados na produção de Dark Horse, que tem Jair Bolsonaro como protagonista do documentário.
O caso está sob investigação da Polícia Federal, que desde julho autorizou a abertura de um inquérito para apurar os repasses de recursos relacionados ao filme. A investigação busca esclarecer o destino final do dinheiro enviado por Daniel Vorcaro, especialmente os US$ 12,3 milhões transferidos ao fundo nos Estados Unidos, sob a justificativa de financiar Dark Horse. Uma das hipóteses em análise é de que parte desses recursos possa ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, embora o deputado negue qualquer envolvimento.
Além disso, a Polícia Federal investiga se o dinheiro possa ter sido utilizado em outras atividades de aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo possíveis ações relacionadas ao governo de Donald Trump. A reportagem da revista aponta também a existência de indícios de outro pagamento, identificado em conversas entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, o que reforça as suspeitas de movimentações financeiras adicionais relacionadas ao caso.
A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar as novas informações, mas até o momento não respondeu às tentativas de contato. A continuidade da investigação e a análise dos documentos e movimentações financeiras reveladas podem ser determinantes para esclarecer de forma definitiva o destino dos recursos e o grau de transparência dos repasses feitos ao fundo de financiamento do filme Dark Horse.








