O senador Carlos Viana (PSD-MG) declarou nesta quarta-feira, 2 de novembro, que exigiu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), uma resposta definitiva acerca dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Viana, Alcolumbre informou que conversaria com os líderes partidários e que apresentaria uma posição até o dia seguinte, 3 de novembro. O parlamentar afirmou que, caso o presidente do Senado não tome uma atitude considerada eficaz, solicitará aos seus colegas o afastamento de Alcolumbre da presidência da Casa Legislativa.
A ameaça de Viana ocorre num momento de crescente pressão por parte de parlamentares sobre autoridades envolvidas nas investigações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. O senador revelou que já encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, alegando que uma possível ligação de Gonet com um evento envolvendo o filho de Vorcaro e o próprio empresário comprometeria a imparcialidade do chefe do Ministério Público. Segundo Viana, Vorcaro teria se comprometido a pagar despesas de um evento que, posteriormente, não chegou a acontecer, levantando suspeitas sobre a isenção do procurador-geral na condução das investigações.
Na coletiva de imprensa, Viana afirmou que considera inaceitável a participação de um membro do Ministério Público com interesses no caso, reforçando que, nesse cenário, Gonet não teria legitimidade para atuar nas investigações. Essa alegação de conflito de interesses reforça a sua posição de que o procurador-geral deve ser afastado do caso. Além disso, o senador defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e informou que protocolou um pedido de impeachment contra ele na terça-feira, 1º de novembro. Viana também solicitou que Moraes seja convocado pelo Senado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias relacionadas ao Banco Master, destacando a urgência de uma manifestação do plenário para esclarecer os fatos.
O parlamentar afirmou que não pretende fazer pré-julgamentos ou condenações antecipadas, mas reforçou que todos os envolvidos devem ser ouvidos, independentemente de seus cargos. Viana também cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alegando que o nome dele aparece nas investigações em andamento. Para o senador, é fundamental garantir que a Polícia Federal continue atuando com independência, técnica e liberdade, de modo a preservar a credibilidade das investigações e a confiança da população na instituição.
Este episódio evidencia o clima de tensão e a busca por maior transparência e responsabilização no âmbito das investigações envolvendo figuras de destaque no cenário político e jurídico brasileiro. As manifestações de Viana refletem a polarização existente na política nacional, além de demonstrar o esforço de alguns parlamentares em pressionar por ações concretas diante de temas considerados de alta relevância para o funcionamento do Estado de Direito.






