Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (3) pelo instituto PoderData/Aya indica uma mudança recente na preferência dos eleitores em uma eventual disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Segundo o levantamento, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ultrapassou numericamente o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora ambos estejam tecnicamente empatados devido à margem de erro do estudo.
De acordo com os dados, Flávio Bolsonaro apresenta 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual, o que significa que, estatisticamente, ambos os candidatos encontram-se em uma situação de empate técnico. Os votos em branco e nulos totalizam 8%, enquanto 3% dos entrevistados afirmaram não saber ou não querer responder. A pesquisa foi realizada com uma amostra de 3 mil pessoas, coletada em 716 municípios de todas as unidades federativas do país, entre os dias 30 de agosto e 2 de setembro, com um nível de confiança de 95%. O levantamento possui registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07561/2026 e foi conduzido com recursos próprios do instituto.
Este cenário de disputa ocorre em um momento de instabilidade política, marcado por revelações relacionadas ao caso Master, envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. As informações vieram à tona após o ministro André Mendonça, relator do processo, decidir retirar o sigilo das mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, contribuindo para o aumento do clima de tensão e questionamentos sobre o ambiente político e judicial.
A mudança na preferência dos eleitores também se reflete na comparação com levantamento anterior, realizado no final de agosto, no qual Lula tinha 45% das intenções de voto contra 44% de Flávio Bolsonaro. Assim, a inversão recente na preferência eleitoral evidencia uma oscilação que, embora ainda dentro da margem de erro, reforça a volatilidade do cenário político nacional.
Além do confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa também simulou outros cenários de segundo turno. Contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 42% de Zema, indicando vantagem numérica do petista que também está dentro da margem de erro, que é de 1,8 ponto percentual. Neste cenário, os votos brancos e nulos representam 12%, e 2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
Outro cenário testado colocou Lula contra o senador Ronaldo Caiado (PSD), no qual o petista mantém 44%, enquanto Caiado soma 42%. Aqui, a diferença também é de dois pontos, com votos brancos e nulos em 11% e indecisos em 2%. Por fim, uma simulação envolvendo o candidato Renan Santos, da Missão, mostra Lula com 44% e Santos com 39%, a maior diferença entre as opções estimuladas, além de 15% de votos brancos e nulos e 3% de indecisos.
Os dados reforçam a instabilidade do quadro eleitoral e a importância do cenário judicial e político na formação das preferências de voto, especialmente em um momento de crise no STF e de revelações que envolvem figuras do alto escalão do poder. A pesquisa evidencia que, mesmo com o empate técnico, há uma tendência de mudança que pode impactar o desenvolvimento da campanha eleitoral até o dia da votação.








