A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (3) uma operação que apura suspeitas de participação do deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) em um esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024 em Nilópolis, na Baixada Fluminense. A ação policial incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão em um condomínio de alto padrão na região e a coleta de dados em dispositivos eletrônicos, sob autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação teve início em outubro de 2024, quando 24 pessoas foram presas em flagrante no município de Nilópolis, após serem flagradas com valores relacionados à compra de votos nas eleições daquele ano. Na ocasião, os agentes da Polícia Federal apreenderam dinheiro e outros itens que indicam a tentativa de influenciar o resultado do pleito municipal. Além dessas prisões, a operação resultou na apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, cujo conteúdo está sendo analisado para aprofundar as investigações.
Os desdobramentos da apuração continuam, tendo como marco o cumprimento de mandados judiciais na Operação Astreia, realizado em fevereiro de 2025. Essas ações reforçam a complexidade do esquema investigado, que envolve múltiplas etapas e possíveis ligações com outros casos de corrupção e compra de votos na região.
Ricardo Abrão, que assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados em 2023, inicialmente entrou no mandato após a posse de Daniela Carneiro (Republicanos-RJ) como ministra do Turismo, ocasião em que ele ocupou a vaga na Câmara. Posteriormente, voltou ao cargo em 2024, substituindo Chiquinho Brazão, cujo mandato foi cassado devido à sua ausência nas sessões e por questões relacionadas à sua conduta política.
Chiquinho Brazão, por sua vez, foi condenado a 76 anos de prisão por ser considerado o mandante do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco, um dos casos mais emblemáticos de violência política no Rio de Janeiro. Além de sua atuação política, Ricardo Abrão possui ligações familiares de destaque na região. É filho de Farid Abraão David, ex-prefeito de Nilópolis por três mandatos e ex-presidente da escola de samba Beija-Flor. Também é sobrinho de Anísio Abraão David, conhecido como “o Anísio”, figura notória no jogo do bicho no Rio de Janeiro, que já foi alvo de operações da Polícia Federal e condenado por contravenção.
Em nota, Ricardo Abrão declarou ter recebido a operação com “estranheza” e afirmou que não foi candidato nas eleições de 2024. Ele reforçou sua disposição em colaborar com as autoridades, afirmando estar tranquilo e à disposição para prestar esclarecimentos adicionais. A investigação continua sob sigilo, enquanto as autoridades buscam esclarecer a extensão do suposto esquema de compra de votos e a participação de diferentes atores envolvidos no caso.









