A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) anunciou que acompanha de perto a evolução dos casos de febre maculosa no estado, uma doença transmitida pela picada do carrapato-estrela infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. Até o dia 27 de agosto, foram confirmados 36 casos da enfermidade, com 11 mortes registradas em diferentes regiões de Minas Gerais. Esses números indicam uma preocupação crescente, especialmente em municípios onde os casos estão sendo investigados com atenção redobrada.
No município de Jeceaba, localizado na Região Central de Minas, a Secretaria confirmou uma morte decorrente da febre maculosa, além de informar que outros dois óbitos estão sob investigação. O executivo municipal também confirmou dois óbitos relacionados à doença, enquanto um terceiro caso ainda aguarda confirmação. A cidade, diante do aumento de notificações, entrou em estado de alerta e recebe acompanhamento constante da Unidade Regional de Saúde de Barbacena, que monitora a situação local de perto.
Comparando os dados atuais com os registros do ano passado, observa-se uma redução no número de casos: em 2023, foram registrados 48 casos com sete óbitos, enquanto em 2024, até o momento, o número total de casos é de 36, com 11 mortes. Os números de anos anteriores também revelam uma tendência de aumento, com Minas Gerais registrando 95 casos e quatro mortes em 2022, e 90 casos com 20 óbitos em 2023. Esses dados evidenciam a persistência da doença na região, embora com variações anuais nos números de ocorrências e letalidade.
A Secretaria de Saúde destaca que, historicamente, a febre maculosa acomete predominantemente pessoas entre 41 e 60 anos, com maior incidência entre homens. A taxa de mortalidade na região é de aproximadamente 30%, o que reforça a gravidade do quadro epidemiológico. As notificações continuam sendo monitoradas diariamente pela SES-MG, que informa que o número de novos casos permanece dentro do esperado para o período, o que indica uma estabilidade relativa nos registros atuais.
Para o controle da doença, a SES-MG realiza ações de vigilância epidemiológica, incluindo a emissão de alertas e a capacitação das equipes de saúde das unidades regionais e municipais. Essas ações envolvem também o monitoramento ambiental de áreas de risco, em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e as secretarias municipais de Saúde. O objetivo é orientar a população e prevenir novos casos, especialmente em locais com maior presença de carrapatos, como áreas de pastagem, parques, reservas ecológicas e margens de rios e lagoas.
A principal estratégia de prevenção recomendada pela Secretaria é evitar o contato com o carrapato-estrela. Para isso, é aconselhável o uso de repelentes à base de icaridina, roupas claras e de manga longa, calçados fechados e meias de cano longo ao frequentar áreas de risco. Em atividades profissionais realizadas em ambientes com presença de carrapatos, o uso de equipamentos de proteção individual, como macacões de manga comprida, também é recomendado. Além disso, a Secretaria orienta a inspeção periódica do corpo para retirada rápida de carrapatos, preferencialmente com pinça, evitando esmagá-los com as unhas.
Outras medidas de controle incluem a manutenção de áreas limpas, como pastos e lotes, além da aplicação periódica de carrapaticidas em animais domésticos e de criação, sob orientação veterinária. O tratamento da febre maculosa é feito com antimicrobianos, sendo fundamental o início precoce da terapia nas fases iniciais da doença para reduzir o risco de óbitos e complicações. Os medicamentos estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acesso rápido aos serviços de saúde.








