Um tribunal criminal na cidade do Cairo, capital do Egito, condenou à pena de morte a apresentadora e produtora de televisão Sarah Khalifa, de 39 anos, juntamente com outras 11 pessoas, por envolvimento em crimes relacionados à fabricação e ao tráfico de drogas. A sentença foi divulgada neste sábado (5) pela imprensa estatal egípcia, marcando um episódio de forte repercussão no país.
De acordo com o jornal oficial Al-Ahram, os 12 condenados foram considerados membros de uma organização criminosa especializada na importação de substâncias químicas utilizadas na produção de entorpecentes. A acusação aponta que o grupo tinha como objetivo fabricar drogas ilícitas e comercializá-las, configurando uma operação de grande escala. Além das acusações ligadas ao tráfico de drogas, os réus também foram condenados por posse e detenção ilegal de armas de fogo e munições, ampliando o escopo das infrações atribuídas a eles.
Durante as investigações conduzidas pelas autoridades egípcias, foram apreendidos mais de 750 quilos de drogas e matérias-primas destinadas à fabricação de entorpecentes. Além disso, foram encontrados equipamentos, ferramentas e máquinas em dois apartamentos que, segundo as investigações, funcionavam como laboratórios clandestinos para a produção de drogas. Essas ações reforçam a gravidade do caso e a extensão do esquema criminoso envolvendo os condenados.
Sarah Khalifa é uma figura conhecida no Egito por sua atuação na televisão e nas redes sociais. Ela apresentava o programa “Mission Difficult”, transmitido pelo canal privado al-Mehwar, que abordava temas relacionados à segurança pública e à criminalidade. Sua presença na mídia lhe conferiu uma grande audiência, especialmente nas plataformas digitais, onde ela acumulava quase três milhões de seguidores no Instagram. Além de sua carreira na televisão, Khalifa também atua como empresária, consolidando uma imagem de influência no cenário egípcio.
O processo contra Sarah Khalifa teve início no ano passado e inicialmente envolvia 27 pessoas, incluindo o irmão da apresentadora. Antes da condenação relacionada ao caso de drogas, Khalifa já havia sido sentenciada a cinco anos de prisão em outro processo, ligado ao sequestro e à agressão de um jovem, demonstrando uma trajetória judicial marcada por diversas acusações.
Antes de anunciar a sentença de morte, o tribunal encaminhou o caso ao Grande Mufti do Egito, principal autoridade religiosa islâmica do país, para obter uma opinião sobre a aplicação da pena capital. Este procedimento é previsto pela legislação egípcia para casos que envolvem a pena de morte, sendo a manifestação do Mufti de caráter consultivo, enquanto a decisão final cabe à Justiça.
Apesar da condenação, Sarah Khalifa e os demais réus ainda possuem o direito de recorrer da sentença. O Egito mantém a pena de morte como punição para diversos crimes, incluindo homicídio premeditado, terrorismo, alguns casos de estupro e tráfico de drogas. Nos últimos anos, o número de sentenças capitais emitidas no país tem sido motivo de preocupação por organizações de direitos humanos. Segundo dados da Comissão Egípcia para os Direitos e Liberdades, 541 sentenças de morte foram proferidas no Egito durante o ano de 2025, evidenciando a forte aplicação dessa pena no sistema judicial local.









