Uma importante descoberta arqueológica foi realizada na região de Wroclaw, na Polônia, onde um túmulo contendo restos mortais de um homem quase completo, fragmentos de dois crânios e um colar feito de dentes foi encontrado. Os achados, datados de aproximadamente 5 mil anos atrás, representam uma das mais antigas evidências já identificadas na área, superando em idade qualquer outro artefato previamente encontrado no mesmo sítio. A descoberta ocorreu durante o encerramento de uma expedição arqueológica, conduzida por pesquisadores do Instituto de Arqueologia da Universidade de Wrocław, em parceria com outras instituições especializadas.
O túmulo também revelou uma variedade de objetos que ajudam a compreender o contexto cultural do período. Entre eles, há contas de osso e âmbar, uma lâmina de sílex — uma rocha muito utilizada na fabricação de ferramentas durante a Idade da Pedra — e um machado de serpentinito, um material resistente frequentemente empregado na fabricação de instrumentos de batalha ou de corte. Essas peças, juntamente com os restos humanos, fornecem uma visão abrangente sobre a vida e as práticas funerárias de comunidades que habitaram a região há cerca de 2.900 a.C., período correspondente à fase intermediária do Neolítico.
Segundo o antropólogo Dr. Paweł Dąbrowski, do Departamento de Anatomia da Universidade Médica de Wroclaw, a equipe identificou, na câmara central do túmulo, dentes de animais bem preservados, que formaram um colar. A disposição precisa desses dentes, perfurados em suas raízes, indicava que eles foram deliberadamente colocados ali, formando uma espécie de ornamento. Apesar de não haver um fio ou corda preservada, a estrutura sugere que o colar foi feito ou oferecido ao indivíduo enterrado, cuja quase totalidade do esqueleto foi encontrada na camada superior do túmulo.
A análise do machado de pedra foi fundamental para datar o sepultamento, que ocorreu por volta de 2.900 a.C. A datação indica que o túmulo pertence ao período intermediário do Neolítico, uma fase marcada por importantes transformações culturais e migrações humanas na Europa. Os restos ósseos e objetos associados serão submetidos a estudos detalhados, incluindo análises físico-químicas, isotópicas e genéticas, que poderão fornecer informações sobre as condições ambientais, o habitat, a origem do indivíduo e possíveis rotas migratórias.
A descoberta também foi acompanhada por uma segunda identificação semelhante, realizada por outra equipe arqueológica na cidade de Iwiny, próxima a Wroclaw. Tal coincidência reforça a hipótese de que grupos associados à Cultura da Cerâmica Cordada, uma cultura de transição entre o Neolítico e a Idade do Cobre que teve papel central na transformação genética e linguística da Europa, migraram para a região da atual Baixa Silésia, vindo do leste europeu ou de regiões ainda mais distantes, como a bacia do Mar Cáspio.
Nos próximos passos, os pesquisadores planejam aprofundar as análises laboratoriais, com foco na caracterização das condições ambientais e na origem do material. Testes genéticos ajudarão a determinar a espécie de mamífero à qual pertenciam os dentes do colar, além de fornecer dados sobre o sexo e o parentesco do indivíduo humano. Após a datação, o material será submetido a estudos anatômicos, antropológicos e odontológicos mais detalhados, que poderão contribuir para uma compreensão mais ampla das práticas culturais e das rotas de migração dessas comunidades antigas na Europa Central.









