O professor e pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Leonardo Fernandes Fraceto, foi oficialmente nomeado ACS Fellow, tornando-se o primeiro brasileiro a receber essa distinção concedida pela Sociedade Americana de Química (ACS). A honraria reconhece cientistas que se destacam tanto pela produção acadêmica quanto pela contribuição para a comunidade científica. A escolha de Fraceto reflete uma trajetória de mais de duas décadas dedicadas à nanotecnologia aplicada à agricultura e a uma década de participação ativa na ACS, uma das maiores sociedades científicas do mundo, fundada em 1876 e que conta com mais de 260 mil membros.
A atuação de Fraceto concentra-se na busca por soluções que minimizem os impactos ambientais da agricultura. Sua pesquisa principal envolve o uso da nanotecnologia, que estuda e manipula estruturas em escalas extremamente pequenas, capazes de apresentar propriedades únicas. Essas características possibilitam o desenvolvimento de novas formas de transportar, proteger ou liberar substâncias, o que é fundamental para aprimorar a eficiência de produtos agrícolas e reduzir os efeitos nocivos ao meio ambiente.
No âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), coordenado por Fraceto e sediado no campus da Unesp em Sorocaba, as pesquisas visam criar soluções inovadoras para o setor agrícola. Entre os projetos destacados na indicação ao prêmio está o estudo do glifosato, um herbicida amplamente utilizado globalmente. Nesse trabalho, a equipe investiga a técnica de nanoencapsulação, que envolve envolver o herbicida em estruturas microscópicas feitas com polímeros naturais, com o objetivo de aumentar sua eficiência e diminuir seu impacto ambiental.
Além disso, o grupo de Fraceto trabalha com nanocarreadores, estruturas projetadas para transportar ingredientes ativos, além de desenvolver formulações relacionadas a pesticidas e outras tecnologias patenteadas. Essas inovações representam uma tentativa de transformar descobertas científicas em aplicações práticas, como produtos comerciais, novas empresas e profissionais capacitados para atuar na indústria agroquímica.
A atuação de Fraceto na comunidade científica internacional também inclui uma forte participação na ACS. Desde há cerca de dez anos, ele esteve envolvido em atividades globais da sociedade, presidindo o capítulo brasileiro e atualmente integrando o International Activities Committee, responsável por discutir estratégias de atuação internacional da organização. Sua participação inclui debates sobre políticas científicas, elaboração de planos estratégicos e ações voltadas à formação de lideranças, além de iniciativas para ampliar a inclusão de grupos sub-representados na ciência.
O reconhecimento pela ACS também reforça a importância do voluntariado na carreira científica, uma prática que Fraceto valoriza e que considera fundamental para ampliar oportunidades de desenvolvimento profissional. Segundo ele, quanto mais se dedica ao voluntariado na sociedade, mais oportunidades surgem, incluindo treinamentos, cursos e atividades que enriquecem sua experiência. Entre as ações promovidas por ele estão um programa de mentoria entre pesquisadores do Brasil e da Costa Rica e a organização do encontro ACADEMIND, voltado à formação profissional e à promoção da equidade de gênero.
Fraceto destaca que o prêmio é uma conquista coletiva, resultado do esforço de uma equipe de colaboradores. Desde 2009, o programa ACS Fellow já reconheceu 1.501 cientistas de diversos países, incluindo 59 indicados em 2026. O reconhecimento reforça a relevância do trabalho de Fraceto na ciência e na inovação voltada para a sustentabilidade agrícola, além de evidenciar a crescente presença de brasileiros em fóruns internacionais de destaque na área.









