A história de Tatunca Nara, figura central de uma das maiores enigmáticas da Amazônia, voltou ao centro das atenções com a estreia do documentário “Morte e Mistério na Amazônia”, na plataforma HBO Max. A produção, que estreia nesta quinta-feira (10/9), é assinada pelos mesmos produtores de “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez” e busca desvendar os mistérios envolvendo a suposta cidade perdida de Akakor, uma lenda que envolve o líder indígena e aventureiro que, até então, nunca havia contado sua versão dos fatos de forma oficial.
A narrativa remonta a 1976, quando começaram a circular boatos sobre Akakor, uma cidade supostamente perdida na floresta amazônica. O tema ganhou notoriedade após o lançamento do livro “A Crônica de Akakor”, do jornalista alemão Karl Brugger, que relata seu encontro com Tatunca Nara. Segundo Brugger, Tatunca seria líder do império Ugha Mongulala, um povo indígena que, de acordo com a narrativa, teria habitado a região há aproximadamente 15 mil anos.
Contudo, investigações posteriores revelaram que Tatunca Nara não passa de um pseudônimo. Seu verdadeiro nome é Hans Günther Hauck, nascido em 5 de outubro de 1941, na Alemanha. Sua chegada ao Brasil ocorreu por volta de 1966, e, ao longo dos anos, ele alterou sua identidade várias vezes, apresentando versões distintas sobre sua origem e a história da cidade de Akakor.
A figura de Tatunca Nara se tornou ainda mais controversa após o assassinato do jornalista Karl Brugger, ocorrido em 1º de janeiro de 1984, no Rio de Janeiro, em Ipanema. Brugger passou anos tentando descobrir a verdade por trás de Akakor, mas seu assassinato permanece sem resolução oficial até hoje. Além disso, Tatunca é apontado como responsável pelo desaparecimento de turistas estrangeiros — John Reed, Christine Heuser e Herbert Wanner — que teriam viajado à região com a intenção de encontrar a lendária cidade subterrânea.
O documentário da HBO Max traz à tona o primeiro depoimento de Tatunca Nara, ainda vivendo na Amazônia, uma oportunidade rara de ouvir sua própria versão. Os produtores, Tatiana Issa e Guto Barra, relataram ao portal Metrópoles os desafios enfrentados durante as entrevistas. Segundo eles, a equipe percebeu, ao longo de uma longa tarde na residência de Tatunca, que o líder indígena é um homem extremamente manipulador, que constantemente tenta driblar as perguntas e criar uma figura mística ao seu redor.
A produção também revelou que, após a conversa, a equipe foi ameaçada na cidade, o que os obrigou a deixar o local às pressas. Tatiana Issa destacou a complexidade do trabalho, afirmando que Tatunca Nara é uma figura perigosa, que manipula e evita responder às perguntas de forma direta. Ela descreveu a experiência como uma das mais difíceis de sua carreira, ressaltando o risco enfrentado pela equipe durante as filmagens.
Este caso permanece envolto em mistérios, com muitas das acusações e suspeitas nunca tendo sido formalmente comprovadas ou levadas ao sistema judicial. A história de Tatunca Nara, marcada por contradições, ameaças e desaparecimentos, continua a fascinar e intrigar pesquisadores, jornalistas e o público interessado na história não contada da Amazônia.








