A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre o suposto uso indevido de recursos públicos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), revelou indícios de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das principais organizações criminosas do Brasil. A apuração, que teve o sigilo dos autos no Supremo Tribunal Federal (STF) retirado pelo ministro Flávio Dino, aponta para a existência de um sistema delitivo no qual verbas municipais e emendas parlamentares federais teriam sido desviadas para financiar atividades vinculadas a um investigado considerado membro relevante do PCC em São Paulo.
Segundo o ministro Flávio Dino, os elementos levantados indicam que recursos públicos de diferentes origens, incluindo emendas parlamentares e contratos municipais, estariam sendo canalizados por meio de uma rede de empresas e pessoas envolvidas em atividades ilícitas. Entre os nomes destacados na investigação, está Alex Leandro Bispo dos Santos, ex-sócio da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, atualmente denominada Urban Connect. A empresa recebeu transferências financeiras do Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma entidade gerida por Karina Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment — responsável pela produção de “Dark Horse”. Essas transferências referem-se a um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado com a prefeitura de São Paulo, destinado à instalação de internet em periferias da capital paulista.
A investigação aponta que Bispo dos Santos é considerado um membro relevante do PCC no estado de São Paulo, com participação destacada na organização criminosa, tendo cumprido prisão preventiva de fevereiro a agosto de 2026 sob a acusação de feminicídio. Os relatórios de inteligência policial indicam que ele estaria envolvido na atuação do PCC na região, reforçando a suspeita de que as atividades financeiras relacionadas ao filme possam estar vinculadas a operações do crime organizado.
Além disso, a apuração revela que as verbas provenientes de emendas parlamentares, especificamente as destinadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), também estariam integrando esse circuito financeiro ilícito. Mário Frias, que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, teria realizado remessas financeiras diretas para a produtora Go Up, valores considerados incompatíveis com seus rendimentos declarados. Essa movimentação financeira suspeita reforça a hipótese de envolvimento do parlamentar na estrutura criminosa, liderada por ele, segundo as conclusões da PF e a decisão do STF.
Os elementos levantados indicam que o esquema de desvio de recursos públicos pode estar ligado a uma rede de confusão patrimonial, na qual empresas subcontratadas e produtores envolvidos no projeto “Dark Horse” estariam sendo utilizados para lavar ou desviar verbas, sem a devida comprovação de prestação de serviços. As investigações continuam em andamento, buscando esclarecer a extensão dessa suposta ligação entre recursos públicos, o filme e o crime organizado.







